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Amor Próprio

... Blogger, coach, palestrante, autora, contadora de histórias, formadora e uma apaixonada pela vida ...

Amor Próprio

09
Abr15

Maria Eulália das Neves

Marta Leal

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Ouvi a sua voz estridente e não pude deixar de olhar. Sempre que a ouça há qualquer coisa que me confunde. Ou como diria uma das minhas avós, muito conhecedora do comportamento humano, sempre que a ouço há qualquer coisa que não bate certo. Não está relacionado com o que diz está relacionado com uma simples soma de parcelas: as palavras e os sentires. E é-me tão fácil sentir as pessoas.

 

Chama-se Maria e bamboleia-se por entre a vida pouco consciente de quem é. Passa entre as gotas da chuva no que diz respeito a responsabilidades e salta para a luz da ribalta quando o tema é aparecer. Redobra-se em afirmações feitas e palavras caras que se lhe perguntarem o que significam dificilmente saberá responder. Imita comportamentos, gestos e estares não sabendo que a essência está no seu ser. Mas como poderia Maria saber isso se algures no tempo se perdeu de si?

 

Dengosa! Caminhou pela vida sempre dengosa tirando proveito de um corpo e de uma cara que com o tempo foram envelhecendo. Dos saberes ficaram-lhe ideias que ouviu aqui e ali e que se convenceu serem suas. Debita seriamente palavras incoerentes. Do ser perdeu-se e não sabe que se perdeu. Baralha-se a si e aos outros que sabem sem saber e que sentem sem perceber que o fazem.

 

Fundiu-se na máscara que agarrou para viver ou para sobreviver. Não sei razões nem pretendo saber. Só sei que somos muitos a fundirmo-nos numa máscara que não é nossa. Esquecemo-nos de quem somos e perdemo-nos de quem gostaríamos de ter sido. Entristece-me ver os que se perdem deles próprios, entristece-me ver os que não sabem quem são.

 

Lá vem ela a Maria Eulália das Neves de seu nome. Ruidosa no debitar de certezas absolutas que transpiram a insegurança. Problemática na interpretação do que lhe dizem. Não sabe que muitas vezes o que os outros dizem não é aquilo que nós ouvimos. Os anos passaram e os atributos foram ficando cada vez menos visíveis. Isola-se num mundo de fantasia onde o ser se perdeu do estar e onde o estar por si só deixou de bastar.

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