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Faz da tua vida a tua inspiração!

... Blogger, coach, palestrante, autora, contadora de histórias, formadora e uma apaixonada pela vida ...

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Há uma parte de uma mãe que morre sempre que um filho não chega a nascer

03.03.20, Marta Leal

         

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  "Este tema das crenças deixou-me a pensar e lá tenho eu que me intrometer novamente. Percebi neste preciso momento que com a Sara adquiri a crença que as mulheres só me queriam pelo dinheiro e, a verdade é que ao longo da vida assim foi. Todas as mulheres com que me cruzei eram mais ou menos interesseiras. Giras, mas interesseiras. Sim, porque eu não faço a coisa por menos. Pensando bem estou a ser injusto. A mãe do Manuel não era nada assim. Eu é que não consegui ver isso e mal recebi a notícia da gravidez acusei-a de me querer prender. Pobre Carla o que ela sofreu nas minhas mãos. Sofreu tanto que hoje me está a fazer pagar. Da pior forma, mas está. Afastou-me do Manuel e hoje sinto que só sirvo para pagar contas. Responsabilidade minha, meus queridos amigos, eu permiti que assim se tornasse. E acomodei-me de tão cansado que estava de conflitos. Por vezes, deixamo-nos vencer pelo cansaço e rendemos-nos a uma situação que não gostamos, mas que nos passa a ser confortável.

            Corri para o hospital mal me ligaram. Tinha-a feito jurar que me colocava como contacto em caso de urgência. Não percebi o que se passava até porque no dia anterior tínhamos ido fazer uma ecografia e estava tudo bem, segundo a obstetra.

            - Está tudo bem, pai babado!

            Tinha dito ela convencida de que eu era o pai. Nem eu nem a Teresa contestámos. Eu até gostei que me tivesse confundido. O André tinha desaparecido do mapa e eu andava a brincar aos pais e às mães. Não comecem já pensar no que não devem porque, com muita pena minha, eu e a Teresa nunca nos envolvemos. Estivemos quase, mas fomos interrompidos pelo toque da campainha. Toque esse que mudou o rumo quer das coisas quer da minha vida.

A Teresa, depois de uns dias em estado de choque, tinha decidido avançar com a gravidez. Nunca percebi se chegou a comunicar ao André a decisão, mas nessa altura queria tudo menos que se enervasse. Peço-vos desculpa, mas perdi-me outra vez daquilo que vos ia contar. Onde estávamos? Ah já sei à entrada das urgências do hospital da Cruz Vermelha. Entrei e as notícias não eram as melhores. A Teresa tinha tido um acidente e tinha perdido o bebé. A mãe está bem, mas está a precisar muito de si, disse-me a enfermeira enquanto me conduzia ao quarto. Pedi-lhe que parasse e não consegui suster as lágrimas. Chorei compulsivamente enquanto a enfermeira me tentava acalmar. Por muito estranho que vos possa parecer chorei a morre daquela como se fosse minha. Chorei por mim, por ele e por nós. Foi como se naquele momento me tivessem tirado a oportunidade de fazer parte da vida dela. Um pensamento egoísta, eu sei, mas não seria honesto se não vos confessasse que o tive.

Abraçou-me enquanto me dizia que era o que tinha de ser.  Naquele dia sei que perdeu um pouco dela. Durante duas semanas mudei-me para a casa da Teresa.  As ordens dos médicos eram de repouso, pouco stress e alguém precisava de tomar conta das crianças. Acedeu sem reclamar. Era como estivesse desligada do mundo. Aos poucos foi voltando, mas nunca mais foi o que era. Pelo menos enquanto eu me mantive por perto.

- Há uma parte de uma mãe que morre sempre que um filho não chega a nascer – disse-me ela ontem – enquanto conversávamos.

Eu sei que a história de hoje não é das mais felizes, mas a vida é feita de bons e maus momentos. E o amor que resiste aos momentos menos bons torna-se mais forte. Não foi o que nos aconteceu, mas podia ter sido.

Sei que estou a cometer uma série de inconfidências ao contar-vos isto. Peço-vos por tudo que não lhe digam que vos contei. Era capaz de não gostar. Conto-vos porque me sinto bem por aqui e sei que posso confiar.

Hoje vou ficar por casa. Disse à Teresa que precisava de descansar, mas o que eu preciso é de pensar. A possibilidade de ela ir para os Estados Unidos tirou-me a vontade de fazer fosse o que fosse. Não quero pensar na possibilidade de a poder perder agora que a reencontrei."

in "organiza-te no amor"

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