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Amor Próprio

... Blogger, coach, palestrante, autora, contadora de histórias, formadora e uma apaixonada pela vida ...

Amor Próprio

12
Ago18

Amor e desamor

Marta Leal

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#amoredesamor

#Marta Leal

#amorpróprio

#desenvolvimentopessoal

 

 “Aquilo já foi tudo meu” foram estas palavras que me despertaram os sentidos e me fizeram regressar ao aqui e agora.  Aconteceu há uns dias. Numa esplanada onde o sol e o silêncio me tinham convidado a sentar.  Embrenhei-me no livro que levei comigo e abstraí-me do que estava à volta. Acontece sempre isto. Os livros têm a capacidade de me fazer sonhar e voar para outra época, outro local, outras vidas e outras histórias.

 

Mas aquela frase despertou-me. Mais pelo tom do que pelas palavras em si. Há tons que dizem tanto! Por debaixo dos meus óculos escuros olhei para o local de onde o som tinha vindo. A voz pertencia a um homem, meia idade, careca, com uma certa barriga que conversava com mais dois amigos. Depois olhei para “aquilo” que passava calmamente pela esplanada. Mulher, meia idade, alta, cuidada e segura pela forma como se movia pela calçada. Acredito que quem se move assim pela rua move-se assim pela vida. O silêncio imperou enquanto seguia rua fora. O “ex-dono daquilo” ficou calado e os amigos também. Eu fiquei a pensar se ele algum dia teria sequer falado com ela. Não me parece! A sensação que tive, quando passou por nós, foi que nunca se tinha cruzado com ele. E se alguma vez aconteceu a “coisa”, na cabeça dela, tinha ficado resolvida. Na dele, pelos vistos, não!

 

Se valesse a pena ter-lhe-ia dito que “aquilo nunca foi dele” no limite tinham passado os dois um bom momento, mas nunca tinham sido um do outro. Ser um do outro é completamente diferente. Ser um do outro é uma entrega não só do corpo, mas principalmente da alma. Ser um do outro pode durar um dia ou uma vida, mas, tem o mesmo efeito porque não tem a ver com o tempo, mas com a intensidade. Dir-lhe-ia também que ela não me parece o tipo de mulher que se resigne e aceite ser propriedade de alguém. Aliás ninguém se deve resignar a ser propriedade de alguém. Mas de certeza que ele não me entenderia. Dificilmente alguém com a necessidade de se gabar sobre as lides sexuais entende que há mais do que isso.  Dificilmente alguém que fala naquele tom entende o que é o amor e tudo o que lhe está agregado.

 

Não vos conto isto por contar. Conto-vos isto porque me deparo diariamente com mulheres que aceitam menos do que merecem.  Que de tão vazias de amor aceitam migalhas quando têm direito ao banquete todo.  Diariamente cruzo-me com mulheres que com medo de ficar sozinhas vivem relações onde o respeito e a confiança são uma miragem. Diariamente cruzo-me com quem procura no exterior aquilo que tem de vir do interior. Diariamente cruzo-me com lágrimas fruto de um vale tudo, por se achar que se vale nada.

 

A conversa ao meu lado continuava no mesmo tom gabarolas. O amigo da camisa aos quadrados começara, também ele, a contar a sua última aventura. E eu numa recusa consciente de ouvir mais uma palavra que fosse regressei às letras e voltei a desligar-me do mundo.  Quando parei eles já tinham ido embora e a esplanada tinha ficado vazia. O que vos posso contar mais? que o livro me falou de amor e a realidade de desamor. Também vos posso contar que acredito que é urgente deixarmos o desamor morrer à fome e cuidar cada vez mais do amor. Mate-se, então, o desamor e faça-se crescer o amor, o próprio porque o outro virá por acréscimo.

 

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Marta Leal

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