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Faz da tua vida a tua inspiração!

... Blogger, coach, palestrante, autora, contadora de histórias, formadora e uma apaixonada pela vida ...

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Viver um relacionamento saudável

16.05.21, Marta Leal

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Deixem-me que vos fale da minha cliente Maria. Há uns tempos a Maria entrou no meu gabinete a dizer que tinha mesmo de se modificar para poder viver o amor que queria viver. Contou-me que se tinha apaixonado, que adorava a pessoa e que estavam a pensar ir viver juntos. Contou-me também que tinha uma vontade enorme de viajar agora que os filhos estavam crescidos, e que as questões financeiras tinham sido ultrapassadas. Gostava de encher a casa com familiares e amigos, e que tudo isso dava um significado enorme à sua vida. Tinha conhecido o namorado há cerca de um ano. Descrevia-o como um homem meigo, romântico e atencioso, mas muito “caseiro”. Para ele as férias ideais eram em casa, a ler um livro ou a ver uma série. Incomodava-o estar sempre com pessoas à sua volta e gostava de tudo muito bem planeado. Nunca tinha viajado, e não sentia falta de o fazer.
 
A Maria passou as nossas primeiras duas sessões a falar o quanto queria mudar para que tudo desse certo. Mas quando me falava em mudar, falava em mudar para agradar, para que tudo desse certo, para o agradar. Nos primeiros tempos nunca ouvi a Maria a desejar que ele mudasse. Partiu do princípio que existia algo de errado com ela. O que a Maria não percebeu é que estava a querer mudar a sua essência, aquilo que a alimentava. Não se tratava de mudar de hábitos ou rotinas, mas de algo mais profundo: tratava-se de mudar o que a fazia sorrir e brilhar. E é isso que muitos de nós fazemos quando nos relacionamos. Deixamos de brilhar porque queremos agradar e ser amados.
 
Contava-me com uma tristeza no olhar que, por vezes, sentia que ele tinha vergonha dela. Tinha vergonha do sítio em que viva, das gargalhadas que dava, do modo que falava e até do que fazia. Tinha por hábito fazer brincadeiras à frente dos poucos amigos que tinha que a deixavam desconfortável. E era por isso tudo que queria mudar, para que ele a aceitasse e a amasse como ela sabia que merecia.
 
O que a Maria não sabia é que quando uma pessoa nos ama o faz de coração e mente aberta. Quando a pessoa nos ama verdadeiramente aceita percurso e essência. E, seja em que idade for é um recomeçar do zero, é um escrever uma história nova com base no respeito e no amor.
 
No final do ano passado, recebi um e-mail da Maria. Estava em Marrocos. Inspirada em algumas amigas tinha decidido viajar, e fazer a passagem de ano por lá. Falava-me do silêncio, das cores, das pessoas e da serenidade que sentia. Contou-me que depois das nossas sessões terminarem, e depois das primeiras tentativas de negociações percebeu que o namorado pouca coisa aceitava nela, e pouca era a vontade de fazer alguma mudança nele. Terminou tudo no dia em que ele lhe disse que “uma mulher da tua idade não pode ir para um ginásio”. Contou-me que, nesse dia, arrumou as malas, e saiu não só da casa, mas também da vida de quem, e passo a citar “nunca percebeu quem eu era”. Contou-me, também, que ele nunca mais a procurou nem voltou a contactar. Terminava o e-mail com a frase “andei tão perdida de mim que não percebi que só posso viver um relacionamento saudável quando aceitar o meu percurso de vida, e toda a minha forma de ser e estar: corrigindo o que não é saudável e reforçando aquilo que é”.”
In novo livro ainda sem título definido

Vivenciamos aquilo em que acreditamos!

15.05.21, Marta Leal

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“A minha avó sempre me disse que para cada panela existe uma tampa. Que é como quem diz que, mais tarde ou mais cedo, havemos de encontrar a pessoa amada ou a pessoa que nos serve. Cresci com essa crença e acredito que, de facto, se estivermos atentos e nos permitirmos, podemos encontrar a nossa tampa ou, se preferirem, a nossa panela.
 
O que ninguém me disse foi que primeiro precisava de me conhecer, saber quem sou. Quais são os meus pontos fortes e quais os meus pontos mais fracos. O que ninguém me disse foi que primeiro, tenho que olhar para mim, para depois poder olhar para o outro.
 
Acreditei desde cedo no amor. Mas não no amor comum que via à minha volta. E quando falo de amor comum, falo do namoro, casamento, ter filhos, educar os filhos e envelhecer juntos mesmo que não dirijam a palavra um ao outro. Nunca acreditei num amor onde dois estranhos convivem em prole daquilo que para eles é uma família. São feitos de tudo, menos de amor. São feitos de deveres sociais ou hábitos de uma comunidade que assim o exige, mas muitos deles não são amor.
 
Sempre acreditei no amor que se sente à distância, no amor que está num olhar e num gesto. Hoje, não consigo culpar ninguém. Durante muito tempo, culpei a tia Ginja e o tio César e todas as histórias que me contavam sobre o amor deles. Culpei um amor que vivi de perto e que transformei em modelo. Culpei as histórias de príncipes e princesas que terminavam num delicioso “viviam felizes para sempre”. Somos aquilo que vivemos de perto. Transformamo-nos nos que nos rodeiam e acreditamos piamente que tudo é assim. Somos a realidade que vivemos e, desde muito cedo, recusamos aceitar que possam existir outras. Vivemos de verdades absolutas que nos foram transmitidas e, sem refletir, defendemos essas verdades como se fossem nossas. A minha verdade absoluta era que o amor para sempre, existia.”
In organiza-te no amor
E tu, acreditas em quê? Mais tarde ou mais cedo, acabamos sempre por vivenciar aquilo em que acreditamos, sabias?