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Faz da tua vida a tua inspiração!

... Blogger, coach, palestrante, autora, contadora de histórias, formadora e uma apaixonada pela vida ...

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Cuidar de ti

29.07.20, Marta Leal

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Ao longo da minha carreira tenho ouvido sucessivamente a mesma pergunta "mas pensar em mim, não será egoísmo?". Ao longo da vida tenho respondido sempre a mesma coisa "primeiro temos de cuidar de nós para podermos cuidar dos outros". Continuo a pensar o mesmo. Só cuidamos verdadeiramente do outro quando estamos bem connosco, quando nos conhecemos verdadeiramente, quando nos aceitamos como somos, e quando aceitamos a vida como ela é. Quando cuidamos do outro sem cuidar de nós corremos o risco de o fazer por egoísmo até porque vamos estar sempre à espera de uma recompensa, e daí surgem as cobranças. Quando cuidamos de nós tornamo-nos pessoas bem resolvidas sem esperar nada em troca. Sem cobranças do que foi feito, sem acusações, sem mesmo pensar que não o devíamos ter feito. Arrependermo-nos de cuidar é por si só revelador de que estávamos à espera de alguma coisa. E quem cuida verdadeiramente não está à espera de nada em troca.

É por essa razão que acredito cada vez mais que ao desenvolvimento pessoal tem de estar agregada a noção do todo. Eu faço parte do outro, e o outro faz parte de mim. Já perdi a conta às histórias que ouvi, e as questões são transversais ao género, profissão, situação económica, grau académico ou mesmo áreas geográficas. Procuramos todos aceitação, amor, compreensão, bem-estar, serenidade e felicidade. Mas para que serve tudo isto se estivermos isolados? De que serve tudo isto se vivermos numa redoma de vidro onde não nos relacionamos? Que interessa estarmos cheios de amor se não o mostrarmos ao mundo? Que interessa termos isso tudo se nos tornarmos reservados em relação aos outros?

- A vida ensinou-me que não podemos confiar em ninguém - dizia-me alguém há uns dias

- Será que a vida te ensinou  só isso ou foi apenas o que quiseste aprender? - perguntei eu, em jeito de desafio.

Já me cruzei com o mais variado tipo de pessoas. Já tive momentos tão maus que o mais natural era também eu acreditar que não se pode confiar em ninguém. Mas recuso-me. Recuso-me a acreditar nisso porque ao fazê-lo a vida perdia todo o sentido. Recuso-me, também, a aceitar que os outros me mudem naquilo que eu sou. Na vida cruzamo-nos com todo o tipo de pessoas, cabe-nos a nós decidir se ficamos ou se partirmos. Não por medo, cobrança ou egoísmo, mas por respeito áquilo que é a nossa essência. E só quando estamos bem resolvidos é que o conseguimos fazer sem olhar para trás. Por isso cuidares de ti não é um acto de egoísmo, mas um ato de amor à tua essência e à tua alma.

Cuida de ti e lembra-te de cuidar do outro! Cuida do outro e lembra-te de cuidar de ti!

Sempre com muito amor!

#fazdatuavidainspiração

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Encaixas-te ou pertences?

28.07.20, Marta Leal

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A filha mais nova mudou-se para casa dela há cerca de dois meses, a filha do meio vai fazer o mesmo na próxima semana, e o filho mais velho foi viver com a namorada, espaçando as visitas. Cá por casa a barulheira deu lugar ao silêncio que é apenas interrompido por latidos ou miados. Pensei que estaria preparada para esta ausência, mas não estava. Não digo isto como lamento, apenas como constatação. A nova realidade é-me estranha seja em coisas tão simples como as compras de supermercado, seja na calma de uma casa onde existiu tudo menos ausência de pessoas. Sou de fácil adaptação e sei que rapidamente tudo entrará dentro da normalidade, mas neste momento sinto-me em ajustamento.

Não tenho escrito muito embora seja na escrita que me refugio, que me alimento e que me encontro. 2020 está a ser um ano estranho quer no que diz respeito às pessoas que perdi,  quer naquelas que encontrei. Há umas semanas ter-vos-ia dito que o ano estava a ser pesado, e ter-me-ia ficado por aí. Hoje, posso-vos contar que todas as ausências estão a ser colmatadas pelos novos encontros, pelas novas experiências, e pelos novos sentires.

Sou de pessoas e de afetos. Sou de sorrisos, de gargalhadas sonoras, de conversas fáceis, e de abraços apertados. Salto facilmente do chinelo para o salto alto ou do salto alto para o chinelo. Gosto da honestidade das palavras, dos afetos, da simplicidade de relacionamentos que insistimos em complicar. 

Apercebi-me de que há caminhos que já não quero trilhar. Interessante como de repente tudo muda.  Muda-se o contexto, e consequentemente alteramos a perspetiva da vida que percorremos e da que queremos percorrer. Lidar com certas realidades e com certas pessoas fez-me perceber onde me situo, e onde pertenço verdadeiramente. Só agora ganhei consciência de que, por vezes, me encaixei sem pertencer! E quando nos encaixamos passamos a vida a ter de nos ajustar porque não é natural. A sensação de desconforto torna-se nossa companheira, e não percebemos o porquê. Quando pertences muda tudo. Quando pertencemos o tempo para, a alma sorri, e tudo aquilo que fazemos é feito com amor. Pertencer é estarmos em casa, é despirmos-nos de máscaras, e sermos quem somos. Sem qualquer medo, apenas sermos!

E tu? encaixas-te ou pertences?

Cuida de ti e lembra-te de cuidar do outro! Cuida do outro e lembra-te de cuidar de ti!

Sempre com muito amor!

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Olhar a vítima como vítima

06.07.20, Marta Leal

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- Parece que o rapaz se matou 

- Coitado, deve-se ter arrependido

- Faz-se cada coisa por amor ...

O meu corpo voltou-se, e as minhas entranhas revoltaram-se. Hesitei, enquanto olhava para aquelas duas pessoas a conversar, muito convictas daquilo que tinham acabado de dizer. Não vos consigo descrever o que senti. Como se descreve uma emoção de revolta e fúria? Como se descreve uma emoção de quem quer gritar que nada daquilo teve a ver com amor?  Como se descreve uma emoção de que aquilo que se acabou de ouvir não tem nada a ver com a realidade? Não disse nada, mas as palavras continuaram a ecoar na minha mente o resto do dia, e a sensação de desconforto também.

Este caso vai muito além de todas as vidas que marcou. A morte da Beatriz vem reforçar aquilo que preocupa a muitos. A condenação da vítima para desculpabilizar um crime. Continuamos a romantizar o que não pode ser romantizado, e a desculpabilizar o que não tem desculpa. Precisamos de aprender a olhar para a vítima como vitima, e para o culpado como culpado. Que se comece a entender, de uma vez por todas, que o amor não maltrata, nem mata.

Soube da morte do Rúben há cerca de vinte e quatro horas. As minhas emoções levaram-me automaticamente para um pensamento de justiça de que a Beatriz merecia um julgamento, mas rapidamente pensei nos pais. Pensei nuns pais que, num prazo de um mês, perderam duas vezes o mesmo filho. Se não podemos, nem devemos ficar indiferentes a esta dor inimaginável, também não podemos ficar indiferentes a uma sociedade mesquinha que aponta o dedo sedenta de pormenores. Pormenores, meias verdades, mentiras e descontextualizações que perpetuam no tempo e na memória daqueles que sofrem a dor da perda. Está na hora, não só, de olharmos para as vitimas como vitimas, mas principalmente de as respeitarmos enquanto vitimas. 

Que as palavras coerentes da mãe da Beatriz nunca parem, e que outras se juntem a ela! Que a morte da Beatriz não seja apenas mais uma morte, mas a morte que empreendeu a mudança. 

Em nome de Deus

05.07.20, Marta Leal

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Tive uma educação católica embora me tenha tornado não praticante. Gosto de pensar em mim como uma pessoa espiritual, mas muito pouco religiosa. Acredito na espiritualidade, mas com o tempo deixei de acreditar nas religiões. Acredito num deus compassivo. Não acredito num deus castigador. Acredito numa espiritualidade que nos une ao todo, mas não posso acreditar numa religião que julga, castra, submete, castiga e ostraciza. Esconder os nossos argumentos em nome de um deus castigador é, no  mínimo, perverso. Combater, perseguir, e matar em nome de Deus, também. Esta perspectiva alimenta o medo e enegrece qualquer alma. Lidera-se pelo medo quando se devia liderar pelo amor. 

O Deus em que eu acredito não castiga, não conta todos os meus erros, não está minimamente interessado com o meu estado civil, na minha orientação sexual ou com as vezes que me sento nos bancos a assistir à missa. O Deus em que eu acredito toca-nos a alma, afaga-nos a vida através do vento, chuva, sol e lua. Sorri quando estamos felizes, e aplaude qualquer evolução. Gosta de actos de amor, compreensão e gratidão. É um Deus que integra e que agrega.

Confundem-me os que em nome de um deus sibilam palavras de maledicência, que após a reza de domingo a primeira coisa que fazem é apontar o dedo, que enquanto batem com a mão no peito vomitam palavras de acusações sem sequer pensar nas consequências que isso poderá ter na vida do visado. 

Deus não castiga. Quem castiga são as pessoas. No dia em que todos entendermos que a liderança tem de ser por amor, o mundo muda. Não por medo ou temor, mas por amor a tudo o que nos rodeia. 

 

Cuida de ti e lembra-te de cuidar do outro! Cuida do outro e lembra-te de cuidar de ti!

Sempre com muito amor!

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