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Amor Próprio

... porque tudo começa e acaba em mim ...

Amor Próprio

... porque tudo começa e acaba em mim ...

Quando eu for grande quero ser ...

 

 

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Quando eu for grande quero ser ...

Marta Leal

#omeutrabalhocomosmiúdos

 

- Quando for grande quero ser futebolista - diz-me ele com um sorriso que me mostra o acreditar tão próprio dos mais novos. 

- A sério? - pergunto eu!

- Sim. Quero ser como o Ronaldo - responde-me ele.

- Boa. Bela escolha eu também gosto dele. E no que é que queres ser igual a ele?

- No penteado! 

André - 9 anos

 

Se quando entrei neste mundo estava muito focada nos adultos a verdade é que o universo me tem dirigido para os mais novos. E conforme me fui dirigindo fui tirando formações e criando projetos, estabelecendo parcerias e desenvolvendo competências que me têm possibilitado diariamente trabalhar com cada vez mais crianças.

 

Gosto da simplicidade das respostas e gosto do modo como se movem pela vida. A desconstrução do que deve ser desconstruido e a presença total no que estão a fazer fascina-me.  Existem muitas crianças a sentirem-se desconfortáveis com a sua infância. E isso acontece pelo excesso de atividades extracurriculares, pelas horas passadas em ambiente escolar, pela falta de atenção dos pais, pela cobrança excessiva de resultado escolares e pelo envolvimento excessivo nos assuntos dos adultos. Todas estas situações podem levar a questões de baixa auto-estima, insegurança, medos, falta de interesse, comportamentos violentos, entre outros. 

 

Preparar e orientar as crianças para o seu momento presente respeitando o seu tempo, o seu crescimento,  a sua essência, a sua curiosidade e as suas descobertas faz parte do meu dia-a-dia. 

 

Aprender com eles novas formas de ver o mundo faz parte do meu crescimento diário! Sorrir ao som das suas descobertas, também.

 

Faz da tua vida inspiração!

Marta Leal

Inspiração e Motivação

 

 

 

Coisas que não entendo

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 Coisas que não entendo!

Marta Leal

#cáporcasa

 

Cá por casa vive-se uma vida cada vez mais serena e pacata. Com a criançada crescida as necessidades são cada vez menores e se não fossem os 4 patas a minha vida pessoal atual seria uma pasmaceira se comparada à azáfama de outros tempos. A languidez da vida caseira contrasta em muito com o aceleramento da vida profissional mas sobre isso falaremos mais tarde.

 

E andava eu remoendo com os meus botões que não se passava nada de diferente quando damos por falta do nosso tapete da entrada.

 

- Oh! mãe - disse a filha mais nova - o tapete?

- Qual tapete? - respondo eu - alheia ao acontecimento.

- O tapete da entrada - responde ela com uma expressão que revelava surpresa, aliás grande surpresa!

- Está aí - respondo eu, totalmente certa de que a garota estava a ver mal.

Pare-se por momentos e perceba-se que, como é evidente, não pensei. Um tapete de entrada não é algo que se perca de vista ou que tenha mobilidade própria. E lá vou eu dar conta do ocorrido, certa de que haveria algum engano.

- Roubaram-nos o tapete - balbucio eu

- Grandes patifes - disse a filha mais nova

Bem, aqui para nós não foi bem isso que a filha mais nova disse mas este é um blog familiar e acho que vocês perceberam bem a ideia.

Fecho a porta e dou dois passos para voltar a ir fazer o que estava a fazer, quando pensei:

- Ah! Deve ter sido a Dona Maria que quando lavou as escadas trocou o tapete com alguém. E lá fui de chinelo no pé e calça de pijama na perna, escada acima e escada abaixo para verificar aquilo que não podia ser verificado. O sacana do tapete desapareceu, escafedeu-se, evaporou-se para parte incerta.

 

Houve quem alegasse que tinha sido o Aladino e outras pessoas afirmaram até que o tinham visto algures. A verdade é que já passaram duas semanas e nem tapete nem meliante que praticou tal atentado. Mais um caso que se fecha sem se descobrir a verdade. Mas isso não interessa nada. O que interessa é que ele já foi substituído por outro com tanta ou mais graça!

 

Se podia comprar tapetes que não dessem nas vistas? Poder podia, mas claro que não era a mesma coisa!

 

Faz da tua vida inspiração!

Marta Leal

Coaching Inspiracional

 

 

 

 

Ler nas entrelinhas

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Marta Leal

#inspiraçãoemotivação

 

Acredito que a vida seja muito mais do que aquilo que os nossos olhos conseguem ver. Até porque o que vimos está diretamente relacionado com o que somos, aquilo em que acreditamos, as experiências que vivemos, as pessoas com que nos cruzámos, ou seja, toda a nossa história pessoal. Há quem veja tudo a cru e quem consiga ler nas entrelinhas.

 

Para mim a vida, tal como  as pessoas, deve ser lida nas entrelinhas. Tudo o que nos acontece vai muito além do que ali está naquele preciso momento. Ler nas entrelinhas significa permitirmos-nos ver mais do que está, analisar, refletir e aprender. Perceber que os resultados não são nada mais do que um acumular de acções, inacções, palavras e pensamentos. Ler nas entrelinhas é recusarmos-nos de viver a preto e branco.

 

Perceber que somos responsáveis pela forma como vivemos é "lixado". É de tal forma "lixado" que a maioria de nós prefere ausentar-se da responsabilidade e permanecer na culpabilização. 

 

Mas não é só a vida que deves ler nas entrelinhas, deves também permitir-te ler os outros. Deves perceber que aquele que ali está à tua frente vai muito alem daquilo que te está a mostrar. Deves perceber que para o bem e para o mal há sempre mais do que aquilo que estás a ver. 

 

Quando aprendes a ler nas entrelinhas é mais fácil perceberes a vida e o outro. E quando percebemos a vida e o outro as coisas são vividas com muito mais leveza.

 

Faz da tua vida inspiração!

Marta Leal

Inspiração e Motivação

 

 

 

 

Férias

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Férias

Marta Leal

#cáporcasa

 

Não tenho férias praticamente há três anos. E, não tenho férias porque ser empreendedora, pelo menos neste país, dá trabalho, exige esforço, persistência e muita resiliência. Nos últimos 3 anos as paragens foram apenas de meios dias, saltinho à praia ou um fim de semana aqui e ali. Este ano decidi que ia ser diferente. Este ano fiz questão de marcar viagem e ir respirar a energia italiana que tanto me seduz e cativa.

 

Mas da viagem falarei mais à frente. Percebi que pela primeira vez que tive dificuldade na paragem. Percebi que tenho dificuldade em largar aquilo que ainda depende exclusivamente de mim. E depois de durante duas semanas a querer resolver e deixar tudo tratado, foi exatamente na véspera da viagem que alguns assuntos começaram a eclodir tal e qual um pacote de pipocas segundos depois de entrar no micro-ondas. 

 

Respirei fundo e pensei "para a semana trato disto"!  Não com esta calma mas com a certeza de que há momentos em que a paragem é muito mais que um luxo, é um merecimento!

 

Faz da tua vida inspiração!

 

Marta Leal

Coaching Inspiracional

 

 

Gosto de Recomeços

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 Gosto de Recomeços

Marta Leal

#inspiraçãoemotivação

 

Gosto de recomeços. Gosto de inicios de ano e gosto do inicio dos meses. Especialmente dos inicios daqueles meses que me cheiram a calor e a quente. Gosto das cores que se misturam com os sons e da temperatura que se mistura com os dias cada vez maiores.

 

E é isso que o ano nos dá 12 novas oportunidades de se recomeçar e de se fazer diferente.

 

Em Maio vais ter 31 novas oportunidades de fazer diferente! Já pensaste o que vais fazer com os teus dias?

 

Faz da tua vida inspiração.

 

Marta Leal

Coaching Inspiracional

 

 

 

 

O cinzento do céu

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O cinzento do céu

Marta Leal

#inspiraçãoemotivação

 

A maioria de nós prefere dias bonitos. Preferimos dias onde o sol brilha, o céu é de um azul intenso e o anoitecer é estrelado. Preferimos acordar com o chilrear dos pássaros e o cheiro a calor do que com o som de chuva a bater nos vidros ou do vento a bailar com as árvores. Preferimos os dias de roupas leves aos dias em que somos obrigados a usar camadas de roupa. Estes dias fazem-nos sentir donos do mundo, leves, amenos, livres de preocupações e prontos para tudo.

Mas aos dias de sol impõe-se dias de chuva. A natureza é maravilhosa e bem disciplinada. Alterna entre estações para que se viva (verão), nos libertemos do que não nos serve (outono), nos recolhemos para reflexão (inverno) e que se volte a renascer (primavera). E sabemos que assim é. Que as nuvens carregadas de chuva escondem um céu azul, que as gotas de água alimentam as sementes que nos permitem viver e que o vento liberta as folhas que já não nos servem.

E a nossa vida é igual. Os dias bons alternam com dias menos bons. E aceitar que tudo faz parte é aceitar que a vida é feita de altos e baixos e que um dia menos bom esconde um dia onde as preocupações desaparecem, as lágrimas secam e os sorrisos aparecem. Um dia mau é tão importante como um dia bom. Os momentos maus mostram-nos outra perspetiva sobre a vida enquanto nos ajudam a apreciar os momentos bons.

Eu sei que acordar num dia menos bom te pode retirar energia, vontade e até o teu sorriso. Mas não é porque chove que o planeta se impede de girar. Da próxima vez que acordes num dia menos bom lembra-te que as nuvens cinzentas escondem um céu azul ou um céu estrelado. 

E és tu que escolhes o modo como vais viver esses dias porque há quem dança com a chuva e quem se lamente dela.

 

Marta Leal

Coaching Inspiracional

Palavras!

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Por vezes, perante determinadas situações, o melhor é ficarmos calados. Mas todos sabemos que quando ficamos calados as palavras sufocam-nos e transformam-se em emoções muito pouco saudáveis. Transformam-se em raivas, ódios, desprezo e rancor. Todas essas emoções corroem e vão-nos matando aos poucos e poucos.

 

Mas então em que é que ficamos, falamos ou não falamos? Defendo que só devemos falar quando o outro está pronto a ouvir e/ou quando sentimos que o outro nos vai entender. De contrário o melhor é ficarmos calados. Mas se não nos permitirmos desabafar as palavras sufocam-nos. Sufocam-nos tanto, mas tanto. Desabafa. Desabafa mas desabafa no silêncio do teu ser. Quero com isto dizer que deves escrever. Escreve. Escreve tudo o que te vai na alma. Lava as mágoas e sacode as emoções negativas que impregnadas de mal entendidos insistem em entristecer-te a alma. Escreve. escreve tudo o que te faça sentido escrever. Escreve até o que não te faz sentido.

 

Liberta-te! Liberta-te muito!

 

Faz da tua vida inspiração!

Dia  47

Marta Leal - Coaching Inspiracional

É o amor meu caro Arnaldo, é o amor!

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Podia ser uma noite diferente mas é apenas uma noite como tantas outras. Insistimos em fazer das nossas noites, noites iguais a tantas outras. Passamos pelas noites como passamos pela vida completamente indiferentes ao facto de que podemos fazer diferente, podemos sempre fazer diferente.

 

Soam as doze badaladas do relógio da igreja existente no bairro mais próximo. Em dias de lua cheia é fácil vê-lo nitidamente mas hoje o nevoeiro intenso e a chuva fazem-nos olhar para o local e imaginarmos apenas que continua lá. Chove como não chovia há meses. Lá fora ouvem-se passos que param constantemente, com toda a certeza, a desviarem-se das poças formadas pela chuva. É difícil caminhar entre o que um dia foram passeios e hoje é apenas um caminho onde as pedras da calçada foram furiosamente arrancadas, umas pelas intempéries outras por qualquer reacção humana que sem sombras de duvidas qualquer psicólogo explicaria como sendo a reacção natural a quem vive num ambiente onde a palavra de ordem é o ataque porque ninguém ousa esperar para se defender.

 

Ninguém ousa esperar para se defender porque ninguém resistiu á defesa. Consta até que nesta rua sem medo a palavra defesa não existe e é atribuída aos fracos e “mariquinhas”. Lamentavelmente ataca-se o que se deveria defender ou, melhor escrevendo, a melhor defesa é o ataque. Mas deixemo-nos de desvaneios e adiante-se a história.

 

A avenida principal encontra-se deserta e o silêncio é apenas interrompido por um motor de um ou outro carro que passa rumo a uma das inúmeras ruelas que aqui se cruzam. Está escuro está muito escuro. A iluminação pública existe mas os candeeiros que ainda possuem lâmpadas intactas são cada vez menos. O nevoeiro faz com que  não se consiga ver sequer o outro lado da rua. Estamos em Lisboa mas podíamos estar em Long Reach Road tal é o sombrio da noite e o fantasmagórico da neblina. É justamente assim que imagino as noites em que Jack o estripador atacava, é justamente assim que a minha imaginação desenha uma noite de crime e de violência.

 

Crenças apenas crenças até porque o cenário poderia virar neste preciso momento e entrarmos no mundo da paixão e do amor. Podíamos fazer com que um casal se cruzasse e se apaixonasse ou mesmo um reencontro entre mãe e filho que não se encontram há muitos anos. Se a nossa história muda num segundo porque não poderia esta mudar?

 

De vez enquanto ouvem-se gritos umas vezes mais perto outras mais longe. Vozes de actores de novelas, vozes de comentadores de futebol ou apenas vozes iradas de gente. Voz de quem se sente mal com o mundo e não percebe que a verdade é que se sente mal consigo próprio. São apenas as vozes de quem vive por aqui mas que a estas horas não se atreve sequer a vir colocar o lixo á rua. Lixo comum entenda-se. Porque reciclagem é coisa que não se conhece pelos meandros da Rua sem Nome.

 

Grafitis, palavras de ordem, pinturas desbotadas ou descuidadas fazem parte das fachadas da grande maioria dos prédios de 3 andares que por aqui imperam.  São raros os andares que não possuem grades nas janelas, são raros os andares que não possuem varandas com armários e outro sem número de objectos de difícil definição. Há até quem alugue a varanda para sobreviver á crise ou à preguiça. Depende dos casos e das vontades meus caros. Trocam-se 10 m2 por 150 euros que sempre ajudam nos gastos. Privacidade não é preocupação porque é palavra que não se conhece. E vivemos bem com aquilo que nunca tivemos.

 

Apesar da inexistência de espaços verdes por aqui conseguimos sentir o cheiro a terra molhada. No entanto este é abafado pelo cheiro a lixo. Lixo que se vai espalhando pela rua fruto das lutas dos inúmeros escanzelados cães vadios que por aqui habitam e que aprenderam a lutar também eles pela sobrevivência. Aqui nem a as sociedades protectoras dos animais se atrevem a entrar por muitas denúncias que existam. Esqueceram-se das pessoas porque não nos esqueceríamos dos animais?

 

Se caminharmos para lá do primeiro quarteirão e olharmos com atenção ali do lado direito encontra-se aquilo que foi um dia um parque infantil mas que hoje não passa de um aglomerado de ferros que põe em perigo não só crianças como adultos. Há uns tempos o Manel da taberna em noite de fogosidade com a Luisinha da retrosaria espetou um ferro não vou dizer onde porque este é um livro sério e, apanhou uma septicémia que o levou desta para melhor. É verdade, sim senhor, e se duvidam estejam á vontade para perguntar.

 

Se caminharmos pela avenida principal numa noite como esta sentimos cheiros de toda a espécie mas sentimos sobretudo o cheiro a medo. É um facto, cheira a Medo na rua sem nome.

 

Cheira não só a medo na rua sem nome mas também cheira a dor, desespero, falta de vontade e necessidade de sobrevivência. Por aqui passeia-se pela dor como os outros passeiam pelas avenidas. Por aqui caminha-se na indiferença de uma vida onde os outros caminham na certeza. Por aqui a maioria não vive porque não se atreve a viver. Por aqui, a maioria atreve-se apenas a tentar sobreviver porque atrever-se a viver não passa disso mesmo, um atrevimento.

 

Perderam-se sonhos em tempos passados e vestiram-se as capas do não vale a pena.  Se olhássemos com atenção e apesar da chuva e do nevoeiro conseguíamos ver um rosto á janela.  O rosto cansado de quem um dia se atreveu a sonhar mas que com o tempo aprendeu a viver o dia-a-dia. Rosto que demonstra ansiedade e dor, rosto que revela marcas deixadas por acontecimentos indescritíveis, rosto que um dia soube rir mas que com o passar do tempo se limita, de quando em vez, apenas a sorrir.

 

Maria das Neves apertava o terço ao peito enquanto os seus lábios carnudos se moviam em ritmo acelerado entre avés marias e padres-nossos. Pode-nos faltar tudo desde que não nos falte a fé. Sempre fora, mesmo quando era mais nova, devota fervorosa de Nossa Senhora de Fátima, colocava nela toda as suas aflições, dúvidas e até desejos. Enquanto rezava não tirava os olhos da rua e a ladainha parava apenas  quando se apercebia de algum  movimento.

 

O cabelo completamente branco caia-lhe em desalinho pelo rosto enrugado e mal cuidado, fruto de uma vida de necessidades e de sacrifícios. Tinha sido uma mulher bonita, ainda hoje os seus olhos verdes chamavam a atenção onde quer que fosse. E, quem olhasse para ela nunca diria que era mãe de 5 filhos e muito menos imaginaria tudo aquilo por que passara  para os criar. Maria das Neves pertencia aquele grupo de mulheres com  idade indefinida onde por muito que nos esforcemos nunca conseguimos acertar nos anos de vida. Como os mais atrevidos costumavam dizer “uma mulher que metia muitas mais novas a um canto”.

 

 Levantou-se do lugar onde estava ajeitando a bata já coçada que trazia vestida, calçou os chinelos e arrastou-se até à cozinha onde se encostou de novo à janela tentado perscrutar qualquer movimento, qualquer coisa que a fizesse sentir esperança.

Arnaldo das Neves não conseguia também ele dormir. Olhava para a mulher e pensava que um dia por amor a ele, ela tinha desistido de um sonho e de uma vida para se enfiar naquele buraco e viverem uma vida a dois. O amor que os unia foi sempre resistindo a todas as dificuldades mas ele sentia sempre o peso de um dia a ter conquistado. Amava-a como no primeiro dia e se havia coisa que sentia falta era da sua gargalhada, aquela que ela foi perdendo  e que um dia deixou de dar.

- Ele ainda não chegou?

- Não – respondeu ela sem sequer se voltar

- Vem-te deitar, é tarde e sabes que o rapaz tem a mania de dormir em casa dos amigos.

- Eu sei Arnaldo, mas hoje estou com um pressentimento horrível e sabes como é

- Sei . Coração de mãe não se engana.

 

Arnaldo olhou-a e sentiu que todos os dias a admirava mais. Como é que aquela mulher pequena e enfiada conseguia ter mais força que ele sempre que se tratava de defender a família? Como é que aquela mulher educada nos melhores colégios conseguira viver uma vida a dois num bairro daqueles onde nem os cães vadios se atrevem a vaguear e onde os habitantes não passam de meros pratos onde se pratica tiro ao alvo.

 

 É o amor meu caro Arnaldo, é o amor! 

 

Faz da tua vida inspiração!

Dia  42

Marta Leal - Coaching Inspiracional

 

Sobre o amor!

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Esta coisa de se sofrer por amor é transversal. Transversal na idade, no sexo, na situação económica e até na cultura onde estamos inseridos. Sofrer por um amor proibido, por um amor que terminou ou por um amor não correspondido toca a todos. Quer dizer, toca a todos os que estiverem dispostos a amar, a entregarem-se e a arriscar. Porque viver um amor nos dias que correm é arriscado. Não por questões que se prendam a Montecchios e Capuletos mas por questões muito mais desafiantes.

 

Vivemos acelerados. Queremos tudo para ontem e temos medo de não conseguir viver aquilo a que temos direito. Queremos uma relação mas ao mesmo tempo queremos ter espaço. Queremos viver o amor mas ao mesmo tempo queres viajar com os amigos de infância porque sempre o fizemos. Queremos estar com a pessoa que amamos mas apenas quando o clima estiver propicio. Queremos ter o outro ao nosso lado mas apenas quando nos apetecer.

 

E vamos vivendo com um pé entre cá e lá sem nunca nos comprometermos, escondidos entre o "logo se vê" e o "depois pensamos nisso". E um dia o "logo se vê" transforma-se num "desapareceu para sempre" em vez de se transformar num "foram felizes para sempre" e, avançamos para outra, replay após replay. Começa-se sem se começar e acaba-se sem se acabar. 

 

Sofremos de amor mas falta-nos entrega. Falta-nos dedicação. Falta-nos diálogo e vontade de resolver. Falta-nos compromisso e falta-nos acreditar que as relações funcionam e que o verdadeiro amor move montanhas! Falta-nos amar!

 

 

Faz da tua vida inspiração!

Dia  35

Marta Leal - Coaching Inspiracional

 

 

Adoro pessoas sábias

 

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As saudades que eu tenho de uma boa conversa onde a dança de palavras nos envolve mais que abraços. Que saudades que eu tenho de um vai e vem de assuntos que me fazem crescer em quem sou e em quem fui. Tenho uma paixão por pessoas sábias. Adoro ouvir contar as suas histórias, vivências e aprendizagens enquanto o rosto vai oscilando entre sorrisos e lágrimas, paixão e desilusão ou mesmo dor. Crescemos na dor é o que muitos me têm dito. Crescemos na dor e descuidamos-nos nos momentos de prazer. Mas perdoem-me, desviei-me daquilo que vos pretendia contar. Dizia eu que adoro pessoas sábias. Adoro conversar com quem me cativa e com quem me faz sorrir. Adoro a sapiência de quem passa anónimo num mundo catalogado por curriculum e diplomas. Gosto. Gosto mesmo daqueles que despidos de qualquer tipo de papel me dão tanto.

 

 

Para hoje, peço-te que te dispas de todos os cursos que tiraste, de todos os diplomas que obtiveste e que te concentres apenas em ti. Até porque tu és muito mais do que isso. Por isso peço que te ouças. Ouve-te! Ouve-te no que és e ouve-te em quem és!

 

 

Faz da tua vida inspiração!

Dia  34

Marta Leal - Coaching Inspiracional

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