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Marta Leal

... aventuras e desventuras de uma eterna apaixonada pela vida, pela familia e pela profissão que desempenha ... Sou business e life coach, sou escritora, inspiradora e formadora.

Marta Leal

... aventuras e desventuras de uma eterna apaixonada pela vida, pela familia e pela profissão que desempenha ... Sou business e life coach, sou escritora, inspiradora e formadora.

Existem amores que não são para sempre

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Acreditei desde cedo no Amor. Mas não no amor comum que via à minha volta. E quando falo de comum refiro-me ao amor do namoram, casam, têm filhos, educam os filhos e envelhecem juntos mesmo que não dirijam a palavra um ao outro. Nunca acreditei nesse amor. Para falar verdade acredito que muitos desses relacionamentos não são feitos de amor. São feitos de tudo menos de amor. São feitos de deveres sociais ou hábitos de uma comunidade que assim o exige, mas muitos deles não são amor.


Sempre acreditei num amor que se sente à distância de um olhar e de um gesto.Hoje não consigo culpar ninguém. Mas por muito tempo culpei a tia e todas as histórias que me contava. Culpei um amor que vivi de perto e que achei que representava todos os tipos de amor. Culpei as histórias de príncipes e princesas que terminavam num delicioso “viveram felizes para sempre”. Somos aquilo que vivemos de perto. Transformamo-nos nos que nos rodeiam e acreditamos piamente que tudo é assim. Somos a realidade que vivemos e desde cedo desconhecemos outras realidades ou recusamo-nos a aceitar que possam existir. Vivemos de verdades absolutas que nos foram transmitidas e defendemos essas verdades, como se fossem nossas. A minha verdade absoluta era a de que o “Amor para sempre” existia.


Sempre admiti a existência daquele amor que nos arrebata, que nos retira da apatia diária e que nos faz felizes para sempre. Passei férias agarrada ao Eça de Queirós, Júlio Dinis e a tantos outros autores que tão bem descreviam aquilo que eu sentia. A culpa é das letras que nos colocam ideias tontas na cabeça, dirão alguns. Não existem culpas existem apenas sentires, direi eu!


Hoje sei que é exactamente quando nos focamos no para sempre que nos perdemos dele. O medo de perder torna-se superior ao deixar fluir, ao alimentar diariamente, ao seduzir e construir. Mas sim, reconheço que a importância do amor não está no para sempre mas na intensidade e verdade com que foi, ou é, vivido.

 

 Marta Leal

Coaching Inspiracional

Não acreditar no amor é não acreditar na vida

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Pois fazes mal minha querida. Não acreditar no amor é como morrer por dentro. E quando se morre por dentro morre-se por fora. Passamos a pertencer aquele grupo de pessoas onde os protestos e os lamentos são mais frequentes que os sorrisos e os aplausos. Passamos a pertencer ao grupo dos que rosnam em vez de estarmos perto daqueles que suspiram. 

 

Não sei se percebes mas não acreditares no amor é permitires que aquele que chamas de "cabrão" te tire a capacidade de amar. É permitires que alguém te retire aquilo que faz parte de ti, ou melhor, aquilo que faz parte de todos nós. Porque minha querida no que diz respeito ao amor somos todos muitos iguais. 

 

Zangamos-nos com o amor quando nos devíamos zangar com quem nos relacionamos. Sabes minha querida o amor não tem culpa e não acreditar nele torna-se ofensivo. Culpar aquele que nos permite sorrir, flutuar, suspirar e viver uma vida mais feliz é errado. É completamente errado. Não acreditas no amor ou não acreditar nos homens? E em quais homens é que não acreditas? Conhece-los a todos?

 

"Eu já não acredito no amor" disseste-me tu com as lágrimas a escorrer pela cara enquanto os olhos revelavam uma tristeza enorme. Não sei o que te respondi naquele momento mas sei que te devo ter dito qualquer coisa como "é natural sentires isso quando te sentes desiludida". Mas sabes, não acreditar no amor é não acreditar na vida. E se não acreditares na vida que sentido tem tudo isto?

 

Coloca-te de pé. Enxuga as lágrimas e dá um passo de cada vez. Firme sempre muito firme. 

 

Marta Leal

Inspirational Coaching

 

Ama-te antes de Amares

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Fazer depender a nossa felicidade de outro está errado. Está errado para nós e está errado para o outro. Pensar em permanecer numa relação com medo de ficar sozinho é, para mim,  um ato de insanidade mental ou mesmo um ato de suicídio emocional. Conformar-me ao que tenho com medo do que nunca mais possa vir a ter confunde-me. 

 

Confunde-me não só pelo conformismo como pela resignação. Quando pergunto a algumas pessoas porque continuam em determinada relação visto que já não amam, a resposta que obtenho é a de que tem medo de ficar sozinhos. E depois? Perguntam-me frequentemente. E depois? Se não encontro mais ninguém? Muito estranho quando ainda não terminei uma relação e já estou a pensar que não consigo encontrar mais ninguém. Mais estranho ainda é o facto de eu não conseguir estar sozinho.

 

Colocar a minha felicidade na mão do outro é deixar de me amar. É procurar fora aquilo que preciso de encontrar cá dentro. É desculpar-me no outro para não me encontrar em mim. É procurar uma metade quando devia apenas procurar um complemento. Depois quando o outro desaparece o meu mundo desaba. Desaba o meu mundo e desabo eu porque não me amei o suficiente para me cuidar. Estruturas externas são sustentadas apenas por andaimes. Estruturas internas são sustentadas por fundações de pedra. 

 

Ama-te antes de amares. Sai do teu conformismo e resignação e olha-te ao espelho. Percebe quem és e escolhe quem queres ser. Decide de uma vez por todas que não é o outro és tu. Que não podes nem deves colocar a tua felicidade na mão de ninguém. Ama-te e só depois te deves atrever a Amar porque só quem se ama sabe o verdadeiro significado do amor. 

 

 

Marta Leal

Inspirational Coach

 

Quando o amor acaba!

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Quando uma relação termina é como se morresse um pedacinho de nós. Seja de quem deixa, seja de quem é deixado. Não é fácil. Não é fácil para nenhuma das partes a não ser que um deles seja um energúmeno do mais alto calibre. Mas não é sobre esses que hoje escrevo. Hoje escrevo sobre aqueles que um dia se apaixonaram e mais tarde percebem que já nada sentem. Hoje escrevo sobre aqueles que que um dia se apaixonaram e de repente o "viveram felizes para sempre" terminou com um "não és tu sou eu"!.
 
Meus caros dói. Dói que se farta e de nada adianta dizer que está tudo certo ou que vai passar. Nós sabemos que vai passar, que o tempo tudo cura e que lá à frente quem sabe até um dia chegamos a agradecer. Mas hoje dói pelo que foi e pelo que está a ser. Dói tanto no ser como no estar. Dói na partilha de bens quando antes se partilharam momentos, vivências, sorrisos, olhares, toques sorriso e mesmo lágrimas. Dói e é importante que doa.
 
É quase como se assistíssemos à morte inesperada de quem está por perto.Perceber o fim é perceber que a vida é feita de emoções, vivências e surpresas, muitas surpresas. Perceber o fim é perceber que temos que recomeçar tudo de novo mas de outro ponto de partida. De um ponto de partida em que escolhemos a bagagem que decidimos levar. De um ponto de partida onde escolhemos o que vamos deixar. Há quem fique lá no novo ponto de partida sem nunca querer mudar mas também não é desses que vamos falar. 
 
Existem momentos em que sentimos um misto de tristeza com alivio. Tristeza pela perda e alivio por voltar a controlar a coisa. Seria incongruente se não chorássemos uns dias pelos cantos e passássemos outros tantos a implicar com toda a gente. Ao quinto dia não ressuscitamos mas arregaçamos as mangas, tapamos as olheiras e regressamos ao mundo mais fortes e mais resistentes. Não mudamos no ser e no estar porque é exactamente assim que nos sentimos bem. E ninguém nos muda meus caros.Nós é que decidimos ou não mudar.
 
Quando te voltares a entregar, entrega-te. Da próxima vez que estiveres está. Claro que não vais viver a mesma coisa mas dá a ti a oportunidade de voltares a viver outro amor. Fugires do amor com medo de te magoares não é solução. Fugires do amor é impedires-te de viveres de novo.
 
Não chames nomes só porque achas que o deves fazer. Não te cales apenas porque não queres fazer cena. Pega na situação, olha-a de frente e resolve-a com o outro e contigo. Repara que escrevi com o outro e não com os outros. larga os outros,afasta-os no que diz respeito a soluções e aproxima-os no que diz respeito a compreensão. Os outros são os outros e vão sempre resolver de forma diferente.  
 
Acredito que o amor não tem amarras e que quando gostamos mesmo de alguém gostamos de o sentir bem e que seja feliz. Seria incongruente não lhe desejar felicidades por mais que isso doa e dói, dói que se farta.
 
Não acredites que só podes viver um grande amor. Acredita que podes viver muito mais amor se te permitires fazê-lo. Esquece os filmes, as opiniões, a sociedade e as crenças. Retira dos livros aquilo que te serve e vive. Mas antes chora, revolta-te, e aceita a tua desilusão.
 
A verdade é que um amor que não é regado seca, morre e corre o risco de deixar a terra infértil.  
A verdade é que só os mais corajosos se atrevem a amar.
 
Marta Leal
Inspiracional Coach

É o amor meu caro Arnaldo, é o amor.

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Podia ser uma noite diferente mas é apenas uma noite como tantas outras. Insistimos em fazer das nossas noites, noites iguais a tantas outras. Passamos pelas noites como passamos pela vida completamente indiferentes ao facto de que podemos fazer diferente, podemos sempre fazer diferente.

 

Soam as doze badaladas do relógio da igreja existente no bairro mais próximo. Em dias de lua cheia é fácil vê-lo nitidamente mas hoje o nevoeiro intenso e a chuva fazem-nos olhar para o local e imaginarmos apenas que continua lá. Chove como não chovia há meses. Lá fora ouvem-se passos que param constantemente, com toda a certeza, a desviarem-se das poças formadas pela chuva. É difícil caminhar entre o que um dia foram passeios e hoje é apenas um caminho onde as pedras da calçada foram furiosamente arrancadas, umas pelas intempéries outras por qualquer reacção humana que sem sombras de duvidas qualquer psicólogo explicaria como sendo a reacção natural a quem vive num ambiente onde a palavra de ordem é o ataque porque ninguém ousa esperar para se defender.

 

Ninguém ousa esperar para se defender porque ninguém resistiu á defesa. Consta até que nesta rua sem medo a palavra defesa não existe e é atribuída aos fracos e “mariquinhas”. Lamentavelmente ataca-se o que se deveria defender ou, melhor escrevendo, a melhor defesa é o ataque. Mas deixemos-nos de devaneios e adiante-se a história.

 

A avenida principal encontra-se deserta e o silêncio é apenas interrompido por um motor de um ou outro carro que passa rumo a uma das inúmeras ruelas que aqui se cruzam. Está escuro, está muito escuro. A iluminação pública existe mas os candeeiros que ainda possuem lâmpadas intactas são cada vez menos. O nevoeiro faz com que  não se consiga ver sequer o outro lado da rua. Estamos em Lisboa mas podíamos estar em Long Reach Road tal é o sombrio da noite e o fantasmagórico da neblina. É justamente assim que imagino as noites em que Jack o estripador atacava, é justamente assim que a minha imaginação desenha uma noite de crime e de violência.

 

Crenças apenas crenças até porque o cenário poderia virar neste preciso momento e entrarmos no mundo da paixão e do amor. Podíamos fazer com que um casal se cruzasse e se apaixonasse ou mesmo um reencontro entre mãe e filho que não se encontram há muitos anos. Se a nossa história muda num segundo porque não poderia esta mudar?

 

De vez enquanto ouvem-se gritos umas vezes mais perto outras mais longe. Vozes de actores de novelas, vozes de comentadores de futebol ou apenas vozes iradas de gente. Voz de quem se sente mal com o mundo e não percebe que a verdade é que se sente mal consigo próprio. São apenas as vozes de quem vive por aqui mas que a estas horas não se atreve sequer a vir colocar o lixo á rua. Lixo comum entenda-se. Porque reciclagem é coisa que não se conhece pelos meandros da Rua sem Nome.

 

Grafites, palavras de ordem, pinturas desbotadas ou descuidadas fazem parte das fachadas da grande maioria dos prédios de 3 andares que por aqui imperam.  São raros os andares que não possuem grades nas janelas, são raros os andares que não possuem varandas com armários e outro sem número de objectos de difícil definição. Há até quem alugue a varanda para sobreviver á crise ou à preguiça. Depende dos casos e das vontades meus caros. Trocam-se 10 m2 por 150 euros que sempre ajudam nos gastos. Privacidade não é preocupação porque é palavra que não se conhece. E vivemos bem sem aquilo que nunca tivemos.

 

Apesar da inexistência de espaços verdes por aqui conseguimos sentir o cheiro a terra molhada. No entanto, este é abafado pelo cheiro a lixo. Lixo que se vai espalhando pela rua fruto das lutas dos inúmeros escanzelados cães vadios que por aqui habitam e que aprenderam a lutar também eles pela sobrevivência. Aqui nem as sociedades protectoras dos animais se atrevem a entrar por muitas denúncias que existam. Esqueceram-se das pessoas porque não se esqueceriam dos animais?

 

Se caminharmos para lá do primeiro quarteirão e olharmos com atenção ali do lado direito encontra-se aquilo que foi um dia um parque infantil mas que hoje não passa de um aglomerado de ferros que põe em perigo não só crianças como adultos. Há uns tempos o Manel da taberna em noite de fogosidade com a Luisinha da retrosaria espetou um ferro não vou dizer onde porque este é um blog sério e, apanhou uma septicemia que o levou desta para melhor. É verdade, sim senhor, e se duvidam estejam á vontade para perguntar.

 

Se caminharmos pela avenida principal numa noite como esta sentimos cheiros de toda a espécie mas sentimos sobretudo o cheiro a medo. É um facto, cheira a Medo na rua sem nome.

 

Cheira não só a medo na rua sem nome mas também cheira a dor, desespero, falta de vontade e necessidade de sobrevivência. Por aqui, passeia-se pela dor como os outros passeiam pelas avenidas. Por aqu,i caminha-se na indiferença de uma vida onde os outros caminham na certeza. Por aqui, a maioria não vive porque não se atreve a viver. Por aqui, a maioria atreve-se apenas a tentar sobreviver porque atrever-se a viver não passa disso mesmo, um atrevimento.

 

Perderam-se sonhos em tempos passados e vestiram-se as capas do não vale a pena.  Se olhássemos com atenção e apesar da chuva e do nevoeiro conseguíamos ver um rosto á janela.  O rosto cansado de quem um dia se atreveu a sonhar mas que com o tempo aprendeu a viver o dia-a-dia. Rosto que demonstra ansiedade e dor, rosto que revela marcas deixadas por acontecimentos indescritíveis, rosto que um dia soube rir mas que com o passar do tempo se limita, de quando em vez, apenas a sorrir. 

 

Maria das Neves apertava o terço ao peito enquanto os seus lábios carnudos se moviam em ritmo acelerado entre avés marias e padres-nossos. Pode-nos faltar tudo desde que não nos falte a fé. Sempre fora, mesmo quando era mais nova, devota fervorosa de Nossa Senhora de Fátima, colocava nela toda as suas aflições, dúvidas e até desejos. Enquanto rezava não tirava os olhos da rua e a ladainha parava apenas  quando se apercebia de algum  movimento.

 

O cabelo completamente branco caia-lhe em desalinho pelo rosto enrugado e mal cuidado, fruto de uma vida de necessidades e de sacrifícios. Tinha sido uma mulher bonita, ainda hoje os seus olhos verdes chamavam a atenção onde quer que fosse. E, quem olhasse para ela nunca diria que era mãe de 5 filhos e muito menos imaginaria tudo aquilo por que passara  para os criar. Maria das Neves pertencia aquele grupo de mulheres com  idade indefinida onde por muito que nos esforcemos nunca conseguimos acertar nos anos de vida. Como os mais atrevidos costumavam dizer “uma mulher que metia muitas mais novas a um canto”.

 

Levantou-se do lugar onde estava ajeitando a bata já coçada que trazia vestida, calçou os chinelos e arrastou-se até à cozinha onde se encostou de novo à janela tentado perscrutar qualquer movimento, qualquer coisa que a fizesse sentir esperança.

 

Arnaldo das Neves não conseguia também ele dormir. Olhava para a mulher e pensava que um dia por amor a ele, ela tinha desistido de um sonho e de uma vida para se enfiar naquele buraco e viverem uma vida a dois. O amor que os unia foi sempre resistindo a todas as dificuldades mas ele sentia sempre o peso de um dia a ter conquistado. Amava-a como no primeiro dia e se havia coisa que sentia falta era da sua gargalhada, aquela que ela foi perdendo  e que um dia deixou de dar.

 

- Ele ainda não chegou?

- Não – respondeu ela sem sequer se voltar.

- Vem-te deitar, é tarde e sabes que o rapaz tem a mania de dormir em casa dos amigos.

- Eu sei Arnaldo, mas hoje estou com um pressentimento horrível e sabes como é.

- Sei . Coração de mãe não se engana.

 

Arnaldo olhou-a e sentiu que todos os dias a admirava mais. Como é que aquela mulher pequena e enfiada conseguia ter mais força que ele sempre que se tratava de defender a família? Como é que aquela mulher educada nos melhores colégios conseguira viver uma vida a dois num bairro daqueles onde nem os cães vadios se atrevem a vaguear e onde os habitantes não passam de meros pratos onde se pratica tiro ao alvo.

 

 É o amor meu caro Arnaldo, é o amor!

Ensina a amar num mundo que insiste em odiar.

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Há uns dias depois de um workshop de coaching parental uma mãe veio ter comigo e disse-me que não sabia se não seria egoísmo colocarmos crianças num mundo como este. Não será a primeira mãe nem a última a colocar esta questão, eu já a coloquei uma ou outra vez. Os acontecimentos diários perturbam-nos, as noticias trazem-nos revolta e a maldade humana faz-nos morrer por dentro. Percebermos que o ser humano é capaz das maiores atrocidades, faz-nos temer o pior, faz-nos viver na desconfiança e no medo quando o que era suposto era vivermos confiantes e no amor a nós e ao outro.

 

Para cada noticia que nos dá a volta ao estômago existe uma outra que nos faz sorrir, acreditar e pensar que vale a pena. Noticias que nos falam de pessoas boas, altruístas e de coração enorme.E quando falo de pessoas boas não me refiro à caridadezinha de cima para baixo. Falo sim do igual para igual. Daquele bom que não se acha superior mas que se consegue pôr no lugar do outro. Daquele que percebe que podia ser ele, ou eu ou mesmo tu.

 

Não te arrependas de trazeres filhos a este mundo. Educa-os com o coração. Ama-os. Dá-lhe abraços e atenção. Ensina-os a aceitar o outro na diferença. Sê um modelo de contribuição e vais ver que a pouco e pouco contribuis para um mundo melhor. Recusa-te a assobiar para o lado e manifesta-te mesmo que não seja contigo.

 

"Quando os nazis vieram buscar os comunistas,
eu fiquei em silêncio;
eu não era comunista.

Quando eles prenderam os sociais-democratas,
eu fiquei em silêncio;
eu não era um social-democrata.

Quando eles vieram buscar os sindicalistas,
eu não disse nada;
eu não era um sindicalista.

Quando eles buscaram os judeus,
eu fiquei em silêncio;
eu não era um judeu.

Quando eles me vieram buscar,
já não havia ninguém que pudesse protestar." Martim Niemoller

 

 

Preciso que a alma se mantenha quente, preciso de me lembrar do que é amar.

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Eu sei que lhe disse que iria recolher-me mais uma vez e esquecê-lo por momentos. Mas como se esquece o que nos faz bem? Eu sei que lhe disse mas não consegui cumprir. Interessante como quando lhe escrevo me sinto mais perto de si. E ao estar mais perto de si estou tão mais perto de mim. Interessante como quando lhe escrevo me sinto tão próxima de quem fomos. Somos sempre a soma de quem nos rodeia, não é verdade? Escrevo-lhe porque tal como me disse um dia nada melhor do que as palavras ao serviço dos amantes. Escrevo-lhe porque nos últimos tempos era a escrita que nos embalava. Essa mesma escrita que sempre me embalou e encantou.

 

Daqui de onde lhe escrevo sinto-me cada vez mais triste com o mundo onde vivemos. Continuo a ter pouco contacto com as noticias mas as que chegam até mim são pouco animadoras. Não. Não pense que me refiro aos últimos atentados. Refiro-me sim à maldade e à ofensa gratuitas de quem tudo sabe e quem tudo julga. E era justamente nesta altura que entrariam as suas palavras sábias sobre um mundo que sempre assim foi e que sempre assim será . 

 

Saudades suas ou saudades minhas quando estou consigo. Não sei, só sei que são saudades que me fazem sorrir e recordar. Não sei o que há em si que tanto me seduz e não sei o que há em mim que tanto nos afasta. Por hoje despeço-me mas desta vez sem certezas de não voltar. Preciso que a alma se mantenha quente, preciso de me lembrar do que é amar. 

 

Saudades de si!

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Daqui de onde lhe escrevo posso dizer-lhe que no ultimo mês corro mais do que o normal. Corro num dia-a-dia que insisto em preencher. Não enfio a cabeça na areia como a avestruz mas enfio a cabeça nas inúmeras coisas que tenho para fazer. Faço por me esquecer que não está cá e que não faz parte. Recuso-me a pensar em si e ocupo-me, ocupo-me cada vez mais. Foi assim no ultimo mês e era assim que queria que fosse nos próximos anos. 

 

Mas o mundo é cruel e eu gostaria de partilhar consigo como isto me entristece e como isto me incomoda. A vida humana vale muito pouco ás mãos de uns e às palavras de outros. Não foram os atentados de Paris que mais me abalaram. Foram sim as palavras de ódio que de imediato lhe surgiram. Não são contra mim mas poderiam ser. E, foi aí que dei comigo a falar consigo na minha imaginação. Sei que teria uma palavra sábia ou uma história para me contar. Daquelas que embora me pudessem entristecer me aqueciam a alma. E nestes momentos é exactamente disso que sinto falta. De alguém que me aqueça a alma. Mas não é um alguém qualquer é alguém que o igual ou mesmo que o supere. 

 

Depois de se viver um amor a fasquia fica mais alta. Depois de se viver na sua plenitude queremos sempre mais e melhor. Deixamos de nos contentar com pouco. Há momentos em que me apetece baixar os braços e esquecer que ele existe. Mas como se pode viver sem amor? Mas como posso eu viver sem amor? 

 

Daqui de onde lhe escrevo gostaria de lhe dizer que mais que ter saudades suas tenho saudades de si. No todo e no particular. Saudades do seu rebuliço e da sua incerteza que contrastavam com aqueles braços que me protegiam durante o sono. Saudades da desarrumação e dos medos que contrastavam com o planeamento e as palavras certas . Saudades de si completo mesmo que desarrumado. Sim era mesmo esse rebuliço que fazia diferença.

 

A vulnerabilidade faz-me sentir saudades de si e dos seus abraços. Mais dos seus abraços do que dos seus beijos devo confessar. Os beijos afagam mas os braços protegem. E num mundo que se ama pouco são precisos braços que nos protejam. Escrevo-lhe hoje apenas porque parei por momentos e me permiti sentir. Sentir a sua falta fez com que abrisse a porta às recordações e ás saudades. Não choro a sua ausência antes sorrio à sua presença  mesmo que apenas em memória.

 

Daqui de onde lhe escrevo sinto saudades de si mas só hoje porque amanhã engreno num dia-a-dia que me ocupa e me preocupa e você fica lá no sossego à espera do dia em que me permita novamente recordar. Saudades de o ouvir dizer que é importante ter-me perto de si! Mas só hoje! Porque amanhã esconde-se a saudade no rebuliço do dia-a-dia até precisarmos novamente de uma recordação quente que nos aqueça alma.

 

O amor deve ser bipolar!

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Perdemos-nos do amor quando nos perdemos de nós próprios impedindo-nos de ser felizes, realmente felizes. Mas quando falo de amor falo daquele amor puro e duro que nos faz sentir borboletas no estômago e as mãos a transpirar. Que nos faz pular da cama cedo e empreender em jornadas que pensadas seriam inimagináveis mas que vividas nos sabem tão, mas tão bem!

 

Falo do amor que nos faz sorrir sem razão e suspirar em momentos inesperados. Quando falo de amor refiro-me ao amor aquele que eu e tu tão bem conhecemos. Sim. Porque eu sei que também tu já amaste assim. Já te entregaste, já rasgaste as regras, e amachucaste os impedimentos apenas porque te permitiste amar. Sim, porque eu sei que também tu em um qualquer momento te permitiste a ser e a estar.

 

Falo do amor ao outro mas também falo do amor a ti. Ao que tu és e ao que tu sabes ser. Mas atenção falar de amor a ti nada tem a ver com egocentrismo e falar de amor ao outro nada tem a ver com dependência. Falo do amor verdadeiro aquele que te respeita como todas as letras e te mima independentemente do verso onde foi inserido.

 

Porque o verdadeiro amor meus caros é bipolar. Oscila entre a excitação do encontro e a serenidade do momento com o outro e connosco. Vive de uma agitação constante que se alimenta de um qualquer gesto, de um qualquer sorriso e de uma qualquer palavra. Suave, sempre muito suave!

 

Amar de forma morna é como beber café frio, tomar banho de água tépida e receber um abraço que nos faz sentir desconfortáveis.

 

Um amor morno não é um amor calmo mas um amor moribundo.

 

Marta Leal

 

 

 

 

Estamos a ensinar os nosso filhos a odiar quando era suposto ensinarmos a amar

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E quando dou por isso os dias passam sem que a escrita se solte. As palavras saltitam de pensamento em pensamento, as histórias criam-se á velocidade luz mas o cansaço  faz com que não nasçam. Concebem-se mas ficam á procura do momento para que possam nascer. Ficam as histórias e ficam também todos as ideias que quero colocar em prática. Ficam umas e perdem-se outras.

 

Perdem-se as ideias mas não se perdem vontades. Vontade de fazer diferente e de fazer a diferença. Confunde-me um mundo onde nos tratamos tão mal e nos sentimos superiores uns aos outros. Confunde-me um mundo onde nos sentimos no direito de atacar, julgar e mesmo matar o outro apenas porque sim. Ficamos chocados com o que se passa pelo mundo, insurgimos-nos contra as barbaridades, os massacres e a forma como o mundo está. Gritamos palavras de ordem e choramos lágrimas de emoção e logo a seguir criticamos a vizinha, gozamos com o amigo do filho, "asneiramos" porque o nosso clube foi roubado, ou porque tivemos um furo e não percebemos que estamos a ser iguais a todos os outros. Criticamos a cor, a raça, a orientação sexual, o género e logo a seguir não entendemos porque se matam pessoas na Siria, ou se usam mulheres como armas de guerra. 

 

Estamos a ensinar os nosso filhos a odiar quando era suposto ensinarmos a amar. Estamos a formatar quando devíamos permitir que se criassem. Estamos a ensinar aos nossos filhas a inércia e a acomodação quando lhes devíamos ensinar a acção e a procura. O mundo só muda se nos mudarmos a nós e se permitirmos, aos que se seguem,   serem aquilo que querem ser.

 

Pessoas realizadas são pessoas felizes e pessoas felizes não têm vontade de atacar, pessoas felizes têm vontade de abraçar!!!

 

 

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