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Marta Leal

... aventuras e desventuras de uma eterna apaixonada pela vida, pela familia e pela profissão que desempenha ... Sou terapeuta de desenvolvimento pessoal, sou escritora, inspiradora e formadora

Marta Leal

... aventuras e desventuras de uma eterna apaixonada pela vida, pela familia e pela profissão que desempenha ... Sou terapeuta de desenvolvimento pessoal, sou escritora, inspiradora e formadora

Porque na minha infância existiam rostos sem idade

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Recorda-se a sala de estudo da D. Ermelinda. Relembram-se cheiros de pó de arroz, lábios pintados de vermelho e rosto sem idade. A voz serena entre os ditados e as cópias. Recordo o menino menos inteligente que escrevia todas as pontuações como se de palavras se tratassem. É-se discreta no corrigir e eleva-se o respeito pela diferença. As pausas dos pontos finais, os travessões e as virgulas. A contra gosto devo confessar. Chamavam-me as brincadeiras de rua, a bicicleta, as corridas e as apanhadas. Prendia-me a necessidade de uma boa educação sempre em nome da tradição e dos bons costumes.

 

Interrompa-se o discurso para se fazer um esclarecimento. Não que me tivesse sido pedido mas penso que é pertinente salientar que não nasci em berço de ouro. Tomei muitas vezes banho em alguidares de zinco da mesma foram que nos últimos dias tomei banho em alguidares de plástico.  O avô construía-nos os carros que os pais não conseguiam comprar. Não me lembro que me tenham lido histórias na minha infância nem sei onde fui buscar este meu amor às letras. Não nasci num mundo de livros mas construí um castelo de letras. Cuidaram-me no ser e prepararam-me para sentir.

 

De início alternam-se as subidas ás árvores com os livros da Anita. Corre-se entre ruas e imitam-se personagens dos livros da Enid Blyton, somos muitas vezes os cinco, os quatro e as gémeas. Vivem-se mistérios da Miss Marple, ficamos fãs de Stanley Gardner e apaixonamos-nos pelo A.A.Fair. Na adolescência perdemos jogos de praia, namoros de verão e saídas para ficarmos com o Eça, Almeida Garrett e Bernardim Ribeiro. Somos diferentes, sentem-nos diferentes. Sugamos os que partilham connosco as letras e silenciamos-nos perante os que não sentem a mesma cumplicidade.

 

Amor ás letras? Misturam-se os cheiros a livros antigos, salas de bibliotecas e livros alugados. Prevalecem os momentos de silêncio onde me evado do agora e viajo no tempo de outras letras.

Aliam-se o amor às letras e o amor ao silêncio numa melodia essa sim mais que perfeita!!!!

 

PS: Eu sou a da mãozita na anca.

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