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Marta Leal

... aventuras e desventuras de uma eterna apaixonada pela vida, pela familia e pela profissão que desempenha ... Sou terapeuta de desenvolvimento pessoal, sou escritora, inspiradora e formadora

Marta Leal

... aventuras e desventuras de uma eterna apaixonada pela vida, pela familia e pela profissão que desempenha ... Sou terapeuta de desenvolvimento pessoal, sou escritora, inspiradora e formadora

O Mundo dos lápis afiados

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João entrou no sótão certificando-se que ninguém o seguia, e deu duas voltas à chave. Retirou a caixinha que estava por debaixo de uma tábua solta e abriu-a. Tinha feito uma promessa e era hoje o dia em que a iria cumprir. Aqueles pequenos seres dependiam dele e não os podia desiludir.Lá dentro os pequenos lápis afiados começaram a espreguiçar-se e a saírem das suas caminhas de aparas. O lápis vermelho atreveu-se a protestar contra quem os tinha acordado e não fosse o lápis branco ter mantido a calma eu acho que ele teria dito um palavrão daqueles muito feios e que os meninos não devem dizer.

 

A caixa encheu-se de sorrisos quando perceberam que era o João. No dia anterior tinha sido ele que os salvara do monstro Senhor Afia. Foram momentos de grande aflição. O Senhor Afia obcecado por lhes fazer um bico invejável e eles a fugir cada um para seu lado.A pequena lápis rosa sofrera danos irreparáveis e quem a visse percebia que tinha estado a choramingar a noite toda. O pequeno lápis preto continuava igual a si mesmo carrancudo e de sobrolho carregado e não fosse a alegria do lápis laranja podíamos dizer que aquele pequeno grupo tinha desistido de lutar. Valia-lhes o esperançoso lápis verde que ansiava pela data de partida.

 

O Monstro das Afias afiava afincadamente e eles iam ficando cada vez mais pequenos. Isto significava que tinham de regressar ao Mundo dos lápis afiados antes que o pior acontecesse. Se os lápis mais pequenos não regressassem ao seu país o mundo dos lápis de  cores acabaria por desaparecer. Os meninos do planeta deixariam de poder pintar e colorir e todos os seus desenhos desapareceriam. Em lugar de todos os desenhos coloridos restariam apenas folhas de papel brancas sem nada registado.

 

João espreitou pela janela do sótão e viu ao fundo o Monstro das Afias a gritar com o pequeno exército. Barafustava, gesticulava e dava ordens enquanto as pequenas afias coloridas pareciam autênticas baratas tontas de tanto que corriam de um lado para o outro. O João conseguia ver tudo e começou a traçar um plano na sua mente. Dividiu os lápis por cores formando pequenos exércitos. Na frente ia o exército branco que se esgueirava por entre os malmequeres, o exército amarelo misturou-se com os girassóis, o vermelho com os cravos e assim calmamente foram avançando cada um para a sua flor onde se confundiam com a cor. E foi quando a pequena lápis rosa não conseguiu aguentar mais e soltou um gritinho depois de ter tropeçado no molenga do lápis azul.

 

O Monstro das Afias atento gritava ordens em todas as direcções. As afias corriam de um lado para o outro, as aparas soltaram-se em nuvens e tentavam cobrir os pequenos lápis que corriam cada vez mais depressa em direcção ao portão do Mundo dos Lápis Afiados. Enquanto as aparas confundiam as afias os lápis aproximavam-se cada vez mais do portão e foi então que se ouviu um rugido e do nada surgiu o Grande Monstro Afia que se colocou mesmo em frente ao portão impedindo os pequenos lápis afiados de conseguirem entrar. 

 

E foi quando o João piscou o olho aos amigos lápis, fez uma vénia aos Reis do Mundo dos Lápis Afiados e simplesmente guardou o Monstro das Afias no Bolso dos calções.  Os pequenos lápis correram para o seu Mundo e assim que entraram ouviam-se canções de alegria.

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