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Marta Leal

... aventuras e desventuras de uma eterna apaixonada pela vida, pela familia e pela profissão que desempenha ... Sou terapeuta de desenvolvimento pessoal, sou escritora, inspiradora e formadora

Marta Leal

... aventuras e desventuras de uma eterna apaixonada pela vida, pela familia e pela profissão que desempenha ... Sou terapeuta de desenvolvimento pessoal, sou escritora, inspiradora e formadora

O Fim do Mundo

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Conseguir um técnico para reparar o esquentador é quase tão difícil como atravessar a Praça do Comércio em noite de passagem de ano. Passei as últimas horas do ano à espera de alguém que estava quase a chegar e que afinal não chegou. Contínuo de alguidar em riste e nunca mas nunca fui tão amiga do meu jarro eléctrico. Se existe algo que me confunde é a falta de compromisso ou o assumir compromissos que sabemos não ir cumprir. Não sou apologista de um compromisso para a vida até porque vivemos num mundo onde a mudança é uma das únicas coisas que temos garantidas mas sou apologista de um compromisso consciente. Simples meus caros ou posso ou não posso. Mais simples não podia ser.

 

O que não foi nada simples foi sair da praça de comércio após o fogo-de-artifício. Acabo o ano a dançar ao som do José Cid e a distribuir passas pelos que estão à minha volta. Começo a sentir-me espalmada e como tenho apenas um metro e meio vou acreditar que lá ao fundo existe um palco uma vez que a única coisa que vejo á minha frente é um casal que ainda não se parou de beijar desde que chegou. Invejo-os. Não pensem que os invejo pelos beijos. A razão da minha inveja é mais requintada vai mais a fundo, invejo-lhes o alheamento de tudo o que se passa à sua volta. Eu não consigo alhear-me das dores de pés e do estado de cansaço de alguém que se levantou às 6 da manhã. Ainda tenho força para uns uhhhus e  yèsssss e dar uns pulinhos de contentamento. Devoro as passas, bebo a champanhe, desejo Bom ano aos meus e aos que nos rodeiam e começo a intencionar para que ninguém queira ficar para o concerto dos xutos. O poder da intenção é do caraças e a malta decide toda ir embora. Segue a enteada mais nova, a filha mais nova, o mais que tudo e eu, todos em direcção ao rio. Pelo caminho piso garrafas, tropeço em pessoas, desvio-me dos banhos de champanhe que continuam e verifico que após tanto esforço não podemos passar por ali. Viramo-nos e desta vez vai o mais que tudo a comandar, as miúdas no meio e eu no final. Somos muitos, somos cada vez mais e atravessar a praça do comércio torna-se equivalente a atravessar Lisboa de uma ponta á outra com os arredores incluídos.

 

Somos de todas as cores e feitios, velhos, novos e de meia-idade. Caminhamos perante aquilo que não é um cenário de guerra mas poderia ser. À nossa volta há gente a festejar, a beijar-se, a vomitar e a urinar onde pode.  Penso que estamos a caminho de casa mas poderíamos estar a caminhar para uma qualquer arca de Noé tal é o estado de confusão que está á nossa volta. Não foi o fim do mundo mas podia ter sido, podia mesmo ter sido.

 

O que vai ter de ser é o regresso ao trabalho e ao planeamento que promete ser demorado. Mas eu volto. Eu sei que volto!

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