Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Marta Leal

... aventuras e desventuras de uma eterna apaixonada pela vida, pela familia e pela profissão que desempenha ... Sou terapeuta de desenvolvimento pessoal, sou escritora, inspiradora e formadora

Marta Leal

... aventuras e desventuras de uma eterna apaixonada pela vida, pela familia e pela profissão que desempenha ... Sou terapeuta de desenvolvimento pessoal, sou escritora, inspiradora e formadora

Maria Eulália das Neves

images.jpg

 

Ouvi a sua voz estridente e não pude deixar de olhar. Sempre que a ouça há qualquer coisa que me confunde. Ou como diria uma das minhas avós, muito conhecedora do comportamento humano, sempre que a ouço há qualquer coisa que não bate certo. Não está relacionado com o que diz está relacionado com uma simples soma de parcelas: as palavras e os sentires. E é-me tão fácil sentir as pessoas.

 

Chama-se Maria e bamboleia-se por entre a vida pouco consciente de quem é. Passa entre as gotas da chuva no que diz respeito a responsabilidades e salta para a luz da ribalta quando o tema é aparecer. Redobra-se em afirmações feitas e palavras caras que se lhe perguntarem o que significam dificilmente saberá responder. Imita comportamentos, gestos e estares não sabendo que a essência está no seu ser. Mas como poderia Maria saber isso se algures no tempo se perdeu de si?

 

Dengosa! Caminhou pela vida sempre dengosa tirando proveito de um corpo e de uma cara que com o tempo foram envelhecendo. Dos saberes ficaram-lhe ideias que ouviu aqui e ali e que se convenceu serem suas. Debita seriamente palavras incoerentes. Do ser perdeu-se e não sabe que se perdeu. Baralha-se a si e aos outros que sabem sem saber e que sentem sem perceber que o fazem.

 

Fundiu-se na máscara que agarrou para viver ou para sobreviver. Não sei razões nem pretendo saber. Só sei que somos muitos a fundirmo-nos numa máscara que não é nossa. Esquecemo-nos de quem somos e perdemo-nos de quem gostaríamos de ter sido. Entristece-me ver os que se perdem deles próprios, entristece-me ver os que não sabem quem são.

 

Lá vem ela a Maria Eulália das Neves de seu nome. Ruidosa no debitar de certezas absolutas que transpiram a insegurança. Problemática na interpretação do que lhe dizem. Não sabe que muitas vezes o que os outros dizem não é aquilo que nós ouvimos. Os anos passaram e os atributos foram ficando cada vez menos visíveis. Isola-se num mundo de fantasia onde o ser se perdeu do estar e onde o estar por si só deixou de bastar.

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Mensagens

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D