Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Marta Leal

... aventuras e desventuras de uma eterna apaixonada pela vida, pela familia e pela profissão que desempenha ... Sou terapeuta de desenvolvimento pessoal, sou escritora, inspiradora e formadora

Marta Leal

... aventuras e desventuras de uma eterna apaixonada pela vida, pela familia e pela profissão que desempenha ... Sou terapeuta de desenvolvimento pessoal, sou escritora, inspiradora e formadora

Eu, mulher me confesso

images (13).jpg

 

Há uns anos era eu uma jovem cheia de certezas absolutas e muito “pêlo na venta”. Tive a sorte de me cruzar com alguém que me deu uma lição de vida, não apenas pelas suas palavras, mas também pelo que me fez sentir naquele momento. Tinha sido convidada para uma festa de aniversário, em casa de uns amigos, onde se encontravam várias gerações de homens e de mulheres. Convém salientar que eu seria das mais novas. Falava-se dos direitos das mulheres e eu, reconheço que de forma infeliz, resolvo manifestar-me contra o dia, as manifestações, e aquilo que eu considerava um exagero, até porque já tínhamos esses direitos! E, acreditem, disse-o com toda a veemência e toda a certeza.

Foi quando alguém em chamou à parte e me contou que, apesar da lei ter mudado, se sentia propriedade do marido porque tinha dedicado toda a vida à família e aos filhos e, embora a herança fosse sua, era o marido que a geria. Que o meu pretensiosismo com tais afirmações se estava a esquecer de todas as mulheres que tinham lutado para que eu tivesse os direitos que tenho hoje. Reconheço que naquele momento o orgulho ferido me impediu de perceber a importância e o impacto que aquelas palavras iriam ter na minha vida. Não percebia também que naquele momento me limitava a ver a vida apenas pelas minhas referências e não punha sequer a hipótese que existissem outras.

Passaram cerca de 20 anos desta conversa e estamos mais ou menos na mesma. Acreditem ou não, mas aquelas palavras continuam a ecoar na minha cabeça. Algumas leis mudaram mas as mentalidades mudaram pouco e nós, mulheres, continuamos a ter que ser mais e a ter que provar mais. Continuamos a ser espancadas, violadas, apontadas, consideradas propriedade privada e, em alguns casos, sem qualquer tipo de escolha. Continuamos a ser o menos numa equação que é tudo menos igual.

Quando alguém perto de mim me conta que tem a certeza que fulano bate em fulana e que é lá com eles, isso significa que ainda há muito caminho a fazer. Significa que nos satisfazemos com o que temos e nos esquecemos de quem não têm. Significa que a ausência de responsabilidade perante o bem-estar do outro se sobrepõe aos direitos humanos.  E é de forma ausente e indiferente que a maioria de nós caminha pela vida. Temos rasgos de indignação perante casos mais ou menos mediáticos mas não agimos em casos tão perto de nós.

Cá por casa recuso-me a ser indiferente e ausente porque sei que precisamos de um mundo diferente com pessoas mais presentes. 

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Mensagens

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D