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Marta Leal

... aventuras e desventuras de uma eterna apaixonada pela vida, pela familia e pela profissão que desempenha ... Sou terapeuta de desenvolvimento pessoal, sou escritora, inspiradora e formadora

Marta Leal

... aventuras e desventuras de uma eterna apaixonada pela vida, pela familia e pela profissão que desempenha ... Sou terapeuta de desenvolvimento pessoal, sou escritora, inspiradora e formadora

E o que vais fazer com essa paixão?

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Despede-se dele com um abraço prolongado. Sente-lhe o cheiro  ao mesmo tempo que pensa o quanto gosta daqueles abraços e do que a fazem sentir. Sempre foi assim e acredita que sempre assim será. Existem paixões que perduram no tempo e emoções que insistem em ficar.

 

Nunca olha para trás. Não gosta de despedidas gosta apenas de até jás. Não tem a ver com os suspiros, a atracção, o cheiro, os beijos ou mesmo a forma como se envolvem sempre que estão juntos. Tem a ver com aquele momento em que são um do outro, mesmo um do outro. E, acreditem ou não,  esse momento pode durar dias ou apenas horas.Depende de um,  tanto como depende do outro. Vai muito além da cara metade, da alma gémea ou do complemento um do outro. É um bocado de tudo sem ser nada de forma específica. 

 

"A paixão é fantástica" suspira ela enquanto se senta e lhe surripia a chávena do café. Ele ri-se e diz que lhe deseja as maiores felicidades. Fica feliz por ela mas teme que repita o que costuma repetir. Pensa e fala sem sequer se travar. No que diz respeito a ela sabe sempre o que deve ser dito. 

 

E o que vais fazer com essa paixão? pergunta-lhe enquanto desvia o olhar para não a intimidar. Sabe que ela não gosta de ser olhada quando se fala de amor. Sabe que ela não gosta sequer que lhe façam perguntas directas. Mas hoje arriscou sabendo que nada arriscava. A amizade que os une perdeu-se de cuidados há muitos anos atrás, hoje recheia-se de risadas e de apoios mas também de puxões de orelhas que roçam a martelada, ou como preferem dizer alguns a marretada. Pensando bem as amizades verdadeiras não se deixam beliscar por verdades ditas nem se coadunam com salamaleques forçados.

 

Mas voltemos ao que aqui nos trouxe hoje.  Ficámos na parte em que ele lhe pergunta o que vai ela fazer com a paixão. Ela hesita. Continua a sentir-se dividida entre o que sente e o que pensa. Entre o que controla e o que sabe que nunca irá controlar. "Mas também pode ser tramada" acrescenta ela consciente que foge da resposta. Ele sorri enquanto lhe faz a pergunta novamente.

 

"Vivê-la" responde-lhe finalmente ela a medo "as relações técnicas dizem-me muito pouco". Sorri enquanto pede outro café e lhe pergunta como ele está. Pergunta-se se desta vez se irá permitir ser feliz, viver o que sente ou se vai fugir com medo daquilo que ninguém deveria ter medo. Durante toda a sua vida todas as  relações foram mais racionais do que movidas pela paixão. 

 
O que foram vivendo assustou-a no momento em que percebeu que se tinha apaixonado. Assustou-se pela paixão mas sobretudo pelo amor. Aquele de que tinha  passado a vida a fugir e do qual voltou a fugir apenas porque não queria que acabasse. Não teve só a ver com aquilo que ele é mas também por aquilo que ela sabe ser. Estranha esta forma de ambos funcionarem.
 
"Sabes?" acrescenta ela "muitas vezes fecho os olhos sinto o abraço dele e ouço a sua voz. Nesses momentos tenho a certeza de que não quero um porto seguro preciso apenas de ter um porto onde o abraço seja suficientemente forte mas não permanente. Sou das que preciso de voar ... preciso sempre de voar".
 
 

 

 

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