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Marta Leal

... aventuras e desventuras de uma eterna apaixonada pela vida, pela familia e pela profissão que desempenha ... Sou terapeuta de desenvolvimento pessoal, sou escritora, inspiradora e formadora

Marta Leal

... aventuras e desventuras de uma eterna apaixonada pela vida, pela familia e pela profissão que desempenha ... Sou terapeuta de desenvolvimento pessoal, sou escritora, inspiradora e formadora

E enquanto os anos passam ficam cada vez mais parecidos, sempre mais parecidos.

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Saltam ao som do despertador sem precisar de saltar. Saltam, apenas por uma vontade inconsciente de se colocarem a mexer, para mais um dia onde se arrastam e se sentem as piores pessoas do mundo. Sentem-se as piores pessoas do mundo, ao mesmo tempo que acusam os outros de o ser.

 

São dois, mas neste momento poderiam ser apenas um, tal é a semelhança. Não percebem. Não têm, sequer, a noção do quanto se fundiram um no outro ao longo de uma vida. Queixam-se frequentemente do outro e não tem consciência de que se queixam apenas e somente deles próprios. Refilam, acusam-se e, no final, encolhem os ombros em sinal de resignação. Resignam-se ao que são enquanto se convencem que se estão a render ao que o outro é.

 

Arrastam-se pela casa da mesma forma como se arrastam pela vida. Corpo tolhido pela postura e ombros encolhidos em sinal de reclusão. A expressão dura alterna com a expressão zangada que tanto os caracteriza. Descontentes com a vida tornam-se descontentes com o todo que os rodeia.

 

Dias iguais sucedem-se a dias iguais. Todos os dias saem de casa juntos e todos os dias chegam a casa juntos. Há muito que as conversas nas viagens se reduziram a frases soltas que nada mais são que afirmações pontuais sobre questões práticas. A rotina instalou-se em quem não era rotineiro. “O que nós fomos e o que nós nos tornámos” diria um deles se estivesse consciente de quem é neste momento.  Mas isso não interessa nada. Atrevo-me a escrever que felizes são os que vivem no desconhecimento de quem são. Por vezes invejo os que se acomodam e que se arrastam, dá menos trabalho. Acreditem! Dá muito menos trabalho.

 

Vejo-os todos os dias ao sair de casa. Ela arrasta os pés e o saco do lixo pela entrada do prédio. Ele segue-a e, enquanto me dá os bons dias, reclama que o som dos saltos parece um tambor. Eu habituei-me a vê-los assim e a percebe-los nesta diferença de quem são, até porque são os dois um, tal foi o tempo que passaram juntos. Fazem-me sorrir, não de escárnio, mas de carinho. Fazem-me pensar o que será um sem o outro.

 

E enquanto os anos passam ficam cada vez mais parecidos, sempre mais parecidos.

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