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Marta Leal

... aventuras e desventuras de uma eterna apaixonada pela vida, pela familia e pela profissão que desempenha ... Sou terapeuta de desenvolvimento pessoal, sou escritora, inspiradora e formadora

Marta Leal

... aventuras e desventuras de uma eterna apaixonada pela vida, pela familia e pela profissão que desempenha ... Sou terapeuta de desenvolvimento pessoal, sou escritora, inspiradora e formadora

António da Fonseca, ilustre Jogador dos Murros da Porta

 

Antonio.jpg

 

Nos últimos dias António da Fonseca, ilustre jogador dos Murros da Porta, andava cabisbaixo. Vagueava rua acima e rua abaixo, enquanto coçava a cabeça, ali bem juntinho à nuca, mesmo onde pais e mães durante gerações e gerações perscrutavam e espiolhavam em busca de piolhos e lêndeas. Coçava tanto que até já tinha uma espécie de vermelhão de tal tom que se podia avistar a uma certa distância e, calcule-se, a olho nu.

 

O vaguear de António era acompanhado pelas conjecturas de todos os que o conheciam. É verdade, meus caros, para cada passo de António era formulada uma teoria. Da mais simples à mais elaborada. Houve até quem dissesse que uma noite dessas vira o ponta de lança a ser raptado por uma nave espacial e que lhe tinha colocado um implante, daí o vermelhão, ali mesmo, na nuca. Teorias não lhes faltava o que lhes faltava era a coragem de perguntar. Acredito que tinham medo de perguntar porque todos tinham medo da resposta.

 

O que ninguém sabia é que António da Fonseca se sentia frustrado na missão que desempenhava e naquilo que fazia na vida. Por muito bom que fosse a marcar golos, o que também não era difícil tendo em conta que os únicos que lhe faziam frente eram o Zezinho zarolho, o Ernesto manco e o Ricardo barrigudo, não era ali que se sentia feliz. António da Fonseca sempre fora dado ao tricô e aos trabalhos manuais e em vez disso dava pontapés numa bola e comemorava com murros na primeira porta que encontrasse. Contrariam-se as vontades e mais tarde ou mais cedo as verdades vem ao de cima.

 

Fora ele que tricotara todos os cachecóis do clube alegando que os tinha encomendado a uma fábrica lá para os lados da China. Acreditaram todos, tal era a perfeição do trabalho ou o desinteresse pela origem dos mesmos.Mas tudo mudara nos últimos dias uma vez que António tinha sido seleccionado para um campeonato internacional de malha de meia e trena que o podia levar longe no mundo das malhas e afins. Sorria quando se imaginava a ser agulha de ouro na próxima atribuição de prémios. Acreditem que nesses momentos os olhos enchiam-se de lágrimas de emoção. Desgastava-se nas dúvidas existenciais que esta decisão impunha e por isso o viam vagueando perdido em seus pensamentos. Levo o casaco bordou ou a camisola verde? Perguntava-se ele enquanto subia e descia a rua num frenesim aflitivo sem se aperceber dos olhos postos nele e das histórias que giravam à sua volta. Era assim António da Fonseca homem muito dado às malhas e que insistia dar-se aos murros e aos pontapés.

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