Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Marta Leal

... aventuras e desventuras de uma eterna apaixonada pela vida, pela familia e pela profissão que desempenha ... Sou terapeuta de desenvolvimento pessoal, sou escritora, inspiradora e formadora

Marta Leal

... aventuras e desventuras de uma eterna apaixonada pela vida, pela familia e pela profissão que desempenha ... Sou terapeuta de desenvolvimento pessoal, sou escritora, inspiradora e formadora

Agora ou Nunca

Comunicar.jpg

 

 

Acredito cada vez mais que é  importante vivermos uma vida que não seja apenas executar tarefas e pagar contas. Acredito também que é importante termos presente que um sonho não é um objetivo. Apesar de serem muitas vezes confundidos. São muitas as pessoas que têm sonhos e bastante menos as que têm objetivos.

 

O que é que eu pretendo com o tema de hoje? Pôr-vos a pensar a vida que levam, os sonhos que têm escondidos e fazer com que entrem em ação na concretização dos  mesmos. Pretendo também que percebam que os vossos sonhos são os vossos sonhos.  E é por isso que são tão importantes. Apenas porque são vossos. Existem clientes que antes de me contarem o sonho o introduzem como “pode parecer um disparate”, “nem sei como lhe dizer isto”, “vai achar que sou louco”. E é quando fazemos isto que nos condicionamos, que alimentamos o medo, seja ele qual for e que remetemos o sonho para uma qualquer gaveta da memória.

 

E  hoje vou começar já por  contar uma história, esta é da minha autoria.

 

“E, já agora vê se de desta vez acertas e não te esqueces do que te pedi. Santa paciência todos os dias a mesma coisa e tu pareces que não me ouve. Não ouves ou não queres ouvir – resmungou Maria. Mulher possante, ar carrancudo e gestos apressados.

 

António fechou a porta atrás de si, mas ainda se apercebeu que a sua mulher continuava a falar. Sentia-se cansado de tanta lamúria, tanta cobrança e tanta humilhação. Sentia saudades de uma palavra de incentivo, de uma palavra de carinho ou mesmo de uma simples conversa onde não existissem acusações ou desconfianças.

 

Apaixonara-se por ela ao primeiro olhar. E, o engraçado é que o que o atraiu nela foi o que anos mais tarde destruiu o amor. O ar seguro, a autoconfiança e a capacidade de decisão. O casamento aconteceu rapidamente, fora ela que lhe propôs e ele aceitou sem sequer pensar. Nunca soubera se ela o amara como ele um dia a amou. Ela nunca lho disse ele nunca lhe pediu para dizer.

 

Os anos sucederam-se em nascimentos de filhos, trocas de fraldas, escolas, trabalhos de casa e outro sem numero de atividades. O diálogo desapareceu com os anos. Os sonhos de ambos foram esquecidos. Os os objetivos comuns perderam-se no reflexo do que pretendiam para os filhos. As discussões aumentavam ou melhor os monólogos porque António já nem sequer respondia.

 

Lembrava-se agora da primeira vez em que tentara apimentar o seu casamento. Tinha sido aconselhado pelo seu melhor amigo. Amizade que mantinha em segredo porque Maria não podia sequer ouvir falar nela. Marcou um fim de semana fora e comprou-lhe um ramo de flores. Quando chegou a casa feliz e contente o seu mundo desmoronou-se. Maria não só recusou o fim de semana como também o acusou de ter outra e por isso mesmo a estar a querer mimar. "Deixa-te dessas parvoíces homem que já não tens idade para isso" dissera-lhe ela.

 

Hoje viva encurralado numa vida que o fazia cada vez mais infeliz. Os filhos mparavam em casa. Maria preocupava-se com tudo menos com o que ele sentia ou mesmo o que ele queria. Por vezes sentia que ela o desprezava. Por vezes sentia que a odiava. Outras vezes pensava que todos deviam viver assim e que tanta duvida era fruto da sua cabeça.

 

Por vezes olhava-a e procurava a mulher por quem o dia se tinha apaixonado. Hoje olhava-a e procurava aquela por quem se anulou. Ela parecia alheia a ele. Vivia demasiado preocupada com a vida dos outros, a vida de casa e tudo o que lhe interessava. Agora que pensava nisso tinha a certeza de que nunca tinha tido uma palavra de incentivo. Uma palavra de ânimo ou mesmo um gesto de carinho.

 

António era um romântico que criou um mundo dele. A sua imaginação voava para fora de si rumo a outra vida e a outras situações. Sonhava com a partilha, o companheirismo e com a ilusão de um dia poder ser amado. Sonhava cada vez mais com aquilo que sempre lhe fizera falta. Vivia uma vida que não era a sua porque deixara que um dia alguém tomasse conta dela.

 

Era cada vez mais frequente dar consigo a fazer planos de acabar com aquilo. De como iria fazer, o que diria aos filhos, onde iria viver e o que lhe iria dizer a ela. Visualizava as situações, ensaiava diálogos e enchia-se de coragem. Uma vez ainda tentou mas ela nem sequer o deixou terminar "olha o velho gaiteiro andas com alguma debaixo de olho" fora a resposta que obtivera. Nesse dia odiara-a como nunca a tinha odiado. Mas mais uma vez deixou-se ficar.

 

E, todos os dias sempre que saía de casa pensava que nunca mais ia voltar, mas todos os dias lhe faltavam a coragem e a força necessárias.

 

- Um dia vou ser feliz - murmurou ele enquanto descia as escadas do prédio rumo ao carro - um dia vou conseguir.”

 

O tempo passa rápido e muitos de nós têm tendência a viver uma vida que não lhes faz sentido.  Muitos de nós esqueceram até os sonhos de infância. Mas qual é a diferença entre sonho e o objetivo?

 

O sonho é o destino final, é aquilo em que pensamos e que gostaríamos de um dia concretizar. De um modo simplista podemos afirmar que o sonho é imaginário e o objetivo é real. O que distingue verdadeiramente os dois é a existência de um plano, ou seja, eu tenho um sonho,  defino um plano e transformo o sonho em objetivo.

 

Mas como é que eu faço isto? Em primeiro lugar para definir o objetivo devo ter em atenção que este deve ser focado nos resultados, para isso preciso de responder à pergunta “porquê?” porque é que eu quero atingir este objetivo? Coisas como: Porque é que eu quero mudar de casa? Porque é que eu quero correr todas as manhãs? Porque é que eu quero mudar de emprego?

 

Devem também ser alinhados com os nossos valores. Quanto mais alinhados com os nossos valores forem mais probabilidade temos de os atingir. Daí que seja importante pensarmos se o objetivo que estamos a definir é mesmo nosso ou é fruto de alguma influencia de quem nos rodeia. Este objetivo faz sentido no nosso contexto e no que planeamos para a nossa vida?

 

Vivermos sem objetivos é como estarmos num barco em alto mar sem remos, sem vela e sem motor. Viver sem objetivos é irmos com a maré. E quando vamos com a maré pode dar certo ou pode dar errado. Mas a verdade é que vamos para onde a maré nos levar.

 

E é exatamente assim que a maioria de nós vive: acordamos, trabalhamos, adormecemos e vivemos diariamente com uma sensação de insatisfação e desejosos pelo próximo fim de semana e pelas próximas férias. E um dia percebemos que o tempo já passou e que ficou muito por concretizar e um dia percebemos que é agora ou nunca.

 

Hoje deixo-vos com as seguintes perguntas: Quais foram os vossos sonhos de infância? Quantos deles puseram em prática?

 

Sentem que vivem ou que se deixam ir pela maré?

 

Gostavam de mudar alguma coisa na vossa vida?

 

 

Marta Leal

Coaching Inspirational

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Mensagens

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D