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Marta Leal

... aventuras e desventuras de uma eterna apaixonada pela vida, pela familia e pela profissão que desempenha ... Sou terapeuta de desenvolvimento pessoal, sou escritora, inspiradora e formadora

Marta Leal

... aventuras e desventuras de uma eterna apaixonada pela vida, pela familia e pela profissão que desempenha ... Sou terapeuta de desenvolvimento pessoal, sou escritora, inspiradora e formadora

Preciso que a alma se mantenha quente, preciso de me lembrar do que é amar.

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Eu sei que lhe disse que iria recolher-me mais uma vez e esquecê-lo por momentos. Mas como se esquece o que nos faz bem? Eu sei que lhe disse mas não consegui cumprir. Interessante como quando lhe escrevo me sinto mais perto de si. E ao estar mais perto de si estou tão mais perto de mim. Interessante como quando lhe escrevo me sinto tão próxima de quem fomos. Somos sempre a soma de quem nos rodeia, não é verdade? Escrevo-lhe porque tal como me disse um dia nada melhor do que as palavras ao serviço dos amantes. Escrevo-lhe porque nos últimos tempos era a escrita que nos embalava. Essa mesma escrita que sempre me embalou e encantou.

 

Daqui de onde lhe escrevo sinto-me cada vez mais triste com o mundo onde vivemos. Continuo a ter pouco contacto com as noticias mas as que chegam até mim são pouco animadoras. Não. Não pense que me refiro aos últimos atentados. Refiro-me sim à maldade e à ofensa gratuitas de quem tudo sabe e quem tudo julga. E era justamente nesta altura que entrariam as suas palavras sábias sobre um mundo que sempre assim foi e que sempre assim será . 

 

Saudades suas ou saudades minhas quando estou consigo. Não sei, só sei que são saudades que me fazem sorrir e recordar. Não sei o que há em si que tanto me seduz e não sei o que há em mim que tanto nos afasta. Por hoje despeço-me mas desta vez sem certezas de não voltar. Preciso que a alma se mantenha quente, preciso de me lembrar do que é amar. 

 

Gosto do modo como a vida fala comigo

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Trabalhar a partir de casa tem para mim um sabor especial. Gosto do modo como os dias se movem e gosto da forma como me movo neles. Gosto de trabalhar acompanhada dos meus quatro patas e sei que uma boa organização é o segredo da coisa. Há dias que cumpro outros dias nem por isso. 

 

Um dos maiores desafios desta decisão prende-se com as interrupções constantes dos outros papéis que me complementam. A mãe motorista é constantemente solicitada e quando não é faz por ser. De vez enquanto a mãe detetive tem de entrar em ação porque nos falta qualquer coisa que não conseguimos encontrar. Já repararam que as mães detetives sabem sempre onde estão as coisas? E se não sabem descobrem rápidamente. Sempre rápidamente.

 

Dar consultas de motivação e inspiração, ouvir os outros, aprender com eles e ajudá-los a crescer tem para mim um gostinho especial. Sabiam que em cada um de nós existe uma pessoa fantástica que nalguns casos insiste em esconder-se?

 

Gosto do modo como a vida fala comigo. Gosto mesmo!

 

Saudades de si!

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Daqui de onde lhe escrevo posso dizer-lhe que no ultimo mês corro mais do que o normal. Corro num dia-a-dia que insisto em preencher. Não enfio a cabeça na areia como a avestruz mas enfio a cabeça nas inúmeras coisas que tenho para fazer. Faço por me esquecer que não está cá e que não faz parte. Recuso-me a pensar em si e ocupo-me, ocupo-me cada vez mais. Foi assim no ultimo mês e era assim que queria que fosse nos próximos anos. 

 

Mas o mundo é cruel e eu gostaria de partilhar consigo como isto me entristece e como isto me incomoda. A vida humana vale muito pouco ás mãos de uns e às palavras de outros. Não foram os atentados de Paris que mais me abalaram. Foram sim as palavras de ódio que de imediato lhe surgiram. Não são contra mim mas poderiam ser. E, foi aí que dei comigo a falar consigo na minha imaginação. Sei que teria uma palavra sábia ou uma história para me contar. Daquelas que embora me pudessem entristecer me aqueciam a alma. E nestes momentos é exactamente disso que sinto falta. De alguém que me aqueça a alma. Mas não é um alguém qualquer é alguém que o igual ou mesmo que o supere. 

 

Depois de se viver um amor a fasquia fica mais alta. Depois de se viver na sua plenitude queremos sempre mais e melhor. Deixamos de nos contentar com pouco. Há momentos em que me apetece baixar os braços e esquecer que ele existe. Mas como se pode viver sem amor? Mas como posso eu viver sem amor? 

 

Daqui de onde lhe escrevo gostaria de lhe dizer que mais que ter saudades suas tenho saudades de si. No todo e no particular. Saudades do seu rebuliço e da sua incerteza que contrastavam com aqueles braços que me protegiam durante o sono. Saudades da desarrumação e dos medos que contrastavam com o planeamento e as palavras certas . Saudades de si completo mesmo que desarrumado. Sim era mesmo esse rebuliço que fazia diferença.

 

A vulnerabilidade faz-me sentir saudades de si e dos seus abraços. Mais dos seus abraços do que dos seus beijos devo confessar. Os beijos afagam mas os braços protegem. E num mundo que se ama pouco são precisos braços que nos protejam. Escrevo-lhe hoje apenas porque parei por momentos e me permiti sentir. Sentir a sua falta fez com que abrisse a porta às recordações e ás saudades. Não choro a sua ausência antes sorrio à sua presença  mesmo que apenas em memória.

 

Daqui de onde lhe escrevo sinto saudades de si mas só hoje porque amanhã engreno num dia-a-dia que me ocupa e me preocupa e você fica lá no sossego à espera do dia em que me permita novamente recordar. Saudades de o ouvir dizer que é importante ter-me perto de si! Mas só hoje! Porque amanhã esconde-se a saudade no rebuliço do dia-a-dia até precisarmos novamente de uma recordação quente que nos aqueça alma.

 

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